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Perguntas | 14/06/2012 22:13

O que é a crise espanhola e como ela pode afetar o Brasil

País deverá receber uma ajuda de 100 bilhões de euros para restaurar a saúde de seus bancos, mas isso pode não ser o suficiente

Ana Clara Costa, de

Esse dinheiro servirá para, entre outras coisas, ajudar os bancos a cumprirem com os níveis de reserva de capital que foram exigidas pela Europa a partir do final de 2011.

A Espanha chegou a afirmar que esse dinheiro não pode ser considerado um endividamento do governo. Porém, tanto as agências de classificação de risco quanto os investidores já enxergam o valor como uma dívida contraída pelo poder público.

A Espanha corre o risco de quebrar, assim como a Grécia?

São problemas diferentes. Enquanto a Grécia teve de ser resgatada porque não tinha condições de arcar com o pagamento dos juros de sua dívida (que estava em 166% do PIB), o endividamento público da Espanha é um dos mais baixos da zona do euro. Atualmente, está em 68,5% do PIB, enquanto o da Itália, por exemplo, está em 125% do PIB.

O problema é que o empréstimo feito ao estado espanhol passa a ser avaliado pelo mercado como uma dívida do governo, já que a Espanha tem o papel de garantidor desse empréstimo. Desta forma, se os bancos não conseguirem honrar o pagamento do aporte bilionário, a situação fiscal da Espanha ficará comprometida e poderá culminar, no médio prazo, em um problema de insolvência.

Além disso, num caso de "calote" da dívida, a União Europeia tem prioridade como credora. Assim, os credores menores assumem mais risco quando compram os títulos da Espanha. E todo esse contexto associado aumenta o temor do mercado em relação ao país.
Esse, contudo, é o cenário mais pessimista e está fora de cogitação no curto prazo. Se ele se tornar real algum dia, significará que a Europa (e a Alemanha) falharam em conseguir retomar o crescimento na Europa.

Por que os bancos espanhóis precisaram ser resgatados?

A crise no sistema bancário espanhol ocorreu devido à expansão desenfreada do crédito, logo após a criação do euro. As caixas econômicas emprestavam dinheiro a juros baixíssimos para clientes com contratos de hipotecas na aquisição de imóveis. Mas, com o desemprego e a desaceleração econômica ocasionados, em parte, pela crise financeira de 2008, os contratos de hipotecas deixaram de ser honrados pelos clientes, fazendo com que as caixas tivessem de reaver os imóveis, que se desvalorizavam rapidamente. O aumento da inadimplência deixou as instituições em alerta.

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