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População e investidores têm retirado bilhões de euros dos bancos gregos temendo a saída do país da zona do euro. Um feriado bancário pode ocorrer após as eleições
São Paulo - Os bancos gregos estão no meio de um turbilhão temido por qualquer instituição financeira do mundo. A cada dia - e este número pode estar crescendo a medida que você lê esta matéria - milhões de euros são sacados ou transferidos para contas de outros países. Tudo resultado do medo que o país deixe a zona do euro e a moeda nacional volte a ser o dracma.
“Os gregos sabem que se deixarem cem euros no banco, no dia seguinte à desvalorização serão cem dracmas – ou dez euros“, afirma o coordenador do curso de Relações Internacionais do Ibmec, Reginaldo Nogueira.
O fenômeno é conhecido como corrida aos bancos, assunto tratado sempre em voz baixa por banqueiros porque apenas rumores podem deixar pelados os cofres de uma instituição. Mas que armas a Grécia teria para impedir este movimento descontrolado que leva bancos à falência e um país ao colapso financeiro?
“Nenhuma”, na avaliação do professor da FEA-USP, Manuel Enriquez Garcia, enquanto a Grécia estiver submetida ao acordo de Schengen, que estabelece o livro fluxo de capitais entre as economias da Europa. “Enquanto o tratado estiver valendo, nenhum estado nacional poderá impedir que as pessoas retirem dinheiro”, afirma o professor.
Mas como é grande a possibilidade que a Grécia saia do euro e que a própria União Europeia esteja avaliando como controlar o fluxo de capitais, veja algumas medidas eficazes em situações semelhantes.
Congelamento dos depósitos e feriado bancário
Os brasileiros conhecem bem o que é ter os depósitos congelados. Os argentinos também sentiram o gostinho em 2001. Impedir que as pessoas retirem dinheiro de um banco é uma arma sem dúvida eficaz e garante que ele não se torne insolvente, mas tem efeitos nefastos sobre a qualidade de vida da população.
“É o pai desempregado que precisa suprir a casa e, apesar de ter reservas, não pode sacar. É o empresário que precisa quitar a folha de pagamentos. As pessoas vão ficar insolventes. Isso compromete o lado real da economia, porque parte do comércio fica comprometido por falta de base monetária”, ressalta a professora de economia da FGV, Celina Ramalho.
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