São Paulo - "A economia da Noruega aproveitou um verão excepcionalmente longo. O inverno está chegando".

O alerta foi dado na semana passada por Øystein Olsen, presidente do Banco Central da Noruega, em seu discurso anual em Oslo sobre o estado da economia.

A produção de petróleo permitiu ao país criar o maior fundo soberano do mundo, com US$ 810 bilhões em caixa. O cofrinho é maior do que o próprio PIB e transformou todos os noruegeses em virtuais "milionários" na moeda local (o kroner).

Mas o preço do petróleo caiu mais de 70% desde junho, e em 2016 o fundo deve encolher pela primeira vez desde a virada do milênio.

Em outubro, o governo previa precisar sacar US$ 570 milhões para apoiar o orçamento, mas esta necessidade pode ter aumentado 16 vezes desde então, segundo as previsões de Olsen.

"A queda dos preços de petróleo vai reduzir a riqueza nacional. O fundo pode estar próximo do seu pico. Retornos futuros também são incertos. Contra este cenário, aumentar o gasto não é um caminho viável a ser tomado", disse ele no discurso.

O fundo foi criado em 1995 justamente para garantir que o dinheiro dos impostos e concessões do setor de petróleo não entrasse automaticamente na economia real, o que causaria o risco de superaquecimento.

Os gestores do fundo se comprometem com uma taxa de retorno anual de 4%. Para isso, investem em ações e títulos nos mercados - estima-se que o fundo detenha 1,25% do valor de mercado de todas as companhias do mundo.

O governo, por sua vez, não pode retirar mais do que 4% do fundo por ano para financiar seu orçamento, mas o problema é que o petróleo também tem batido na economia como um todo.

O PIB caiu 1,2% no quarto trimestre depois de ficar parado no terceiro, tornando provável uma recessão. O desemprego também está em alta e o BC já reagiu cortando os juros pela metade desde dezembro.

A queda do preço do petróleo tem afetado duramente outros grandes países exportadores como a Venezuela e a Arábia Saudita e pode causar uma das maiores transferências de riqueza da história humana, segundo o Bank of America Merrill Lynch.

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