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Cone-Sul | 30/01/2012 23:55

Mercosul é uma 'anarquia', afirma líder industrial uruguaio

Sanguinetti questionou a política de substituição de importações impulsionada pelo governo de Cristina Kirchner.

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Norberto Duarte/AFP

Bandeiras do Mercosul

Os industriais uruguaios sofrem "um bloqueio sistemático por parte da Argentina de todas as nossas exportações", disse Sanguinetti

São Paulo - O Mercosul é "uma absoluta anarquia", afirmou nesta segunda-feira um importante dirigente industrial uruguaio ao denunciar os entraves às importações impostos pela Argentina e depois que o presidente do Uruguai, José Mujica, disse que o bloco regional está "empacado".

"O Mercosul está pior do que empacado, já está em uma absoluta anarquia e em um retrocesso: não se respeitam os compromissos assumidos", disse o presidente da comissão de Comércio Exterior da Câmara de Indústrias do Uruguai, Rafael Sanguinetti, à rádio 10, de Buenos Aires.

Sanguinetti questionou a política de substituição de importações impulsionada pelo governo de Cristina Kirchner.

"Não entendemos porque a Argentina deve se proteger do Uruguai: é uma política ruim, que faz mal ao Mercosul e à imagem do bloco, já que essas coisas tanscendem. Nem o Brasil, nem o Uruguai estão de acordo com a Argentina", declarou.

Os industriais uruguaios sofrem "um bloqueio sistemático por parte da Argentina de todas as nossas exportações, em uma flagrante contravenção de todos os compromissos assumidos", disse Sanguinetti em outra entrevista à rádio El Mundo, na qual afirmou ainda que os setores mais afetados são o alimentício e o têxtil.

Segundo o empresário, é "um absurdo" porque "o Uruguai representa 2,06% das importações argentinas".

Mujica disse em entrevista no domingo que o Mercosul - formado por Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela, em processo de adesão - é um bloco "empacado", que perdeu sua atração internacional e que "não tem a fluidez de uma relação natural".

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