Economistas consultados pelo Ministério da Fazenda pioraram suas previsões para o déficit em 2016 do governo central (Tesouro, Previdência Social e Banco Central), deixando-o ainda mais longe da meta de superávit de 24 bilhões de reais, vista com incredulidade diante da perspectiva de recessão econômica.

O relatório Prisma Fiscal, divulgado nesta sexta-feira, apontou déficit primário de 70,8 bilhões de reais para 2016, sobre saldo negativo em 68,2 bilhões de reais esperado até então, conforme mediana das estimativas do mercado colhidas em janeiro.

O governo central tem como alvo para a economia para o pagamento de juros da dívida pública de 24 bilhões de reais, ou 0,39 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016. Para o setor público consolidado --que incluem Estados, municípios estatais--, a meta é de 30,6 bilhões de reais, ou 0,5 por cento do PIB.

Para 2017, as expectativas também sofreram deterioração, passando ao rombo primário de 42,1 bilhões de reais, contra déficit de 30,9 bilhões de reais anteriormente, também distante da meta de superávit primário de 74,1 bilhões de reais, equivalente a 1,1 por cento do PIB.

Nos dois casos, o desempenho deve ser afetado pela fraca arrecadação em meio à atividade em queda, fator que levou o governo central a registrar rombo recorde no ano passado.

As previsões para a arrecadação federal caíram a 1,294 trilhão de reais em 2016 e a 1,390 trilhão de reais em 2017, contra 1,296 trilhão e 1,403 trilhão de reais, respectivamente.

Em relação à dívida bruta, houve estabilidade na perspectiva, a 73,99 por cento do PIB em 2016, contra 74 por cento na estimativa anterior. Para o próximo ano, a previsão foi piorada a 78,5 por cento, ante 78,1 por cento.

O Prisma Fiscal consiste em sistema de coleta mensal de expectativas de mercado para variáveis fiscais.

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