São Paulo - Apesar da persistente dificuldade da economia brasileira em deslanchar, o mercado interrompeu uma série de 10 semanas seguidas de reduções e manteve a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 1,90 por cento neste ano. Entretanto, a perspectiva de inflação foi elevada, segundo pesquisa Focus do Banco Central, divulgada nesta segunda-feira.

Diante dos últimos sinais de aceleração dos preços, os analistas consultados na pesquisa do BC revisaram sua previsão para a inflação neste ano, e agora preveem que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrará este ano a 4,92 por cento, ante 4,87 por cento na semana anterior. Para 2013, a expectativa foi mantida em 5,50 por cento.

Uma série de indicadores na última semana mostrou aceleração da inflação, culminando na sexta-feira com a alta de 0,33 por cento do IPCA-15 em julho, ante 0,18 por cento em junho e acima das expectativas.

Entretanto, na avaliação de analistas essa alta não altera a perspectiva de corte da taxa Selic em agosto. No último dia 11, o Comitê de Política Monetária (Copom) realizou o oitavo corte seguido da taxa básica de juros desde agosto passado, quando começou o processo de afrouxamento monetário, para a atual mínima recorde de 8 por cento ao ano.

Segundo o Focus, a taxa básica de juros deve encerrar 2012 a 7,50 por cento, mantendo a expectativa da semana passada.

Analistas avaliaram que a ata da última reunião do Copom, divulgada na quinta-feira, indica que pode haver pelo menos mais um corte na taxa básica de juros. O comitê voltou a destacar que o processo de redução da Selic deve ser feito com "parcimônia".

Crescimento

A redução da taxa básica de juros faz parte da movimentação das autoridades para impulsionar a atividade no Brasil. O próprio BC já reduziu sua projeção para o crescimento da economia brasileira neste ano de 3,5 para 2,5 por cento ao ano.

Por sua vez, os ministérios da Fazenda e do Planejamento cortaram na sexta-feira a previsão de crescimento do PIB, embora ainda acima da projeção do BC, de 4,5 por cento para 3 por cento.

Em outra frente, o governo já anunciou benefícios fiscais a indústrias e consumidores, além de aumento das compras federais. A indústria é o principal setor que vem impedindo uma recuperação mais robusta da economia brasileira.

Para 2013, os analistas consultados na pesquisa Focus também mantiveram a previsão para o PIB em uma expansão de 4,10 por cento. Para a Selic no período, a previsão foi mantida em 8,50 por cento.

Ainda segundo o Focus, a taxa de câmbio prevista pelo mercado para o fim de 2012 foi mantida em 1,95 real por dólar.

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