O mercado automotivo da Europa, que em 2015 atingiu o nível mais alto em seis anos, provavelmente não baterá tão cedo o recorde de 2007.

Os motivos são a desaceleração do crescimento populacional do continente e as alternativas à posse de veículos oferecidas por serviços de carona compartilhada, como o da Uber Technologies.

As vendas de carros na Europa deram um salto de 9,2 por cento em 2015, para 14,2 milhões, disse a Acea, uma associação do setor, nesta sexta-feira.

A IHS Automotive prevê que em 2016 a demanda aumentará 2 a 3 por cento juntamente com a expansão da economia, segundo Carlos da Silva, gerente de projeção de vendas de veículos para a região da empresa de consultoria.

Ainda assim, no ano passado o número de registros foi 12 por cento menor que os quase 16 milhões de veículos vendidos nove anos atrás.

“Há muitas tendências positivas, mas será difícil o mercado chegar ao nível de 2007 em um futuro próximo, quem dirá passá-lo”, disse Peter Fuss, sócio da unidade alemã da empresa de consultoria EY.

“A Europa não é uma área de crescimento demográfico forte e os níveis de propriedade de automóveis já são altos. É diferente, por exemplo, da Ásia”.

A confiança empresarial e do consumidor nos países que compartilham o euro é a mais alta em quase cinco anos e coincide com a lenta recuperação da recessão que terminou em meados de 2013.

Esse sentimento tem encorajado as compras de carros, porque os consumidores se sentem mais seguros quanto à renda futura.

A Volkswagen, líder do setor na Europa, perdeu participação de mercado devido ao escândalo de fraude dos testes de emissões de diesel, mas concorrentes como Ford Motor, Daimler e Fiat Chrysler Automobiles conquistaram clientes com novos modelos SUV.

Com a queda na demanda por hatchbacks e sedãs tradicionais, as fabricantes estão em busca de mais crescimento no segmento de SUVs.

A Ford projetou nesta semana que suas vendas europeias de modelos dessa classe aumentarão mais de 30 por cento em 2016, para 200.000 veículos.

A Bentley e a Lamborghini, unidades de ponta da Volkswagen, e a Alfa Romeo e a Maserati, marcas da Fiat Chrysler, planejam lançar seus primeiros SUVs nos próximos dois anos.

“Os SUVs continuarão sendo muito populares e veremos mais variações de produtos de mais fabricantes no futuro”, disse Christoph Stuermer, analista da empresa de pesquisa PwC Autofacts, que prevê um crescimento global de 3,9 por cento do mercado automotivo europeu neste ano.

Contudo, as perspectivas de expansão a longo prazo são limitadas. Thomas Besson, analista da Kepler Cheuvreux, disse em um relatório, na sexta-feira, que está mantendo “uma abordagem fundamentalmente cautelosa em relação ao setor em um momento de amadurecimento do ciclo global”.

Os possíveis obstáculos para a economia e a confiança do consumidor são os recentes ataques terroristas na França e na Turquia, enquanto a demanda está sendo transformada pela chamada economia da partilha, disse Fuss, da EY.

Unindo-se aos esforços da Uber para ampliar o serviço na região, as fabricantes europeias criaram unidades de compartilhamento de carros como o Car2Go da Daimler e o DriveNow da BMW.

“Há uma mudança de comportamento entre os consumidores nesse momento em que proliferam os esquemas de compartilhamento de carros”, disse Fuss.

“Isso não necessariamente significa que a frota de carros está diminuindo. O compartilhamento de carros é uma influência, entre muitas”.

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