Brasília - O Brasil está disposto a comprar mais dólares para manter o real desvalorizado, disse hoje (21) o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Segundo ele, o governo pretende evitar uma apreciação da moeda brasileira provocada pela política de estímulo monetário dos Estados Unidos, reiterando o risco de uma "guerra de divisas". Mantega deu as declarações em Londres, durante uma conferência organizada pela revista The Economist.

O valor do dólar frente ao real tem se depreciado desde a última semana, quando o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) anunciou que comprará US$ 40 bilhões ao mês em títulos hipotecários até que a situação do emprego melhore no país.

Segundo Mantega, "é natural que os países se defendam dessas atitudes, que não trazem necessariamente benefícios diretos nem vão recuperar os mercados locais, mas que vão estimular a guerra de divisas porque vão levar outros países a fazê-la".

Na segunda-feira, o Banco Central brasileiro interveio no mercado de câmbio, adquirindo US$ 2,1 bilhões (R$ 4,2 bilhões) no mercado de futuros para tentar conter a alta do real face à moeda norte-americana. Até o último dia 14, o saldo da entrada e saída de dólares do país, fluxo cambial, ficou positivo em US$ 460 milhões.

"O Banco Central comprará mais reservas se houver uma oferta de dólares muito forte na economia brasileira. Atuaremos também no mercado de derivados", afirmou Mantega. O ministro disse que as autoridades brasileiras estão atentas e que adotarão as "medidas necessárias" para proteger as exportações. "Não permitiremos que a nossa economia perca competitividade, sobretudo a indústria", destacou.

Mantega disse ter receio que a política dos EUA aumente o risco de mais países tomarem parte em uma "guerra de divisas" para combater a desvalorização do dólar. "A resposta imediata ao estímulo monetário dos EUA é o estímulo monetário japonês, porque o Japão já reagiu e adotará medidas para tentar desvalorizar o iene em relação a outras divisas", comentou.

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