São Paulo - A autorização do governo para o Banco do Brasil elevar o limite de participação de investidores estrangeiros em seu capital, de 20% para até 30%, conforme decreto presidencial publicado nesta quinta-feira, 24, tem como objetivo "primordial" elevar a liquidez e a valorização das ações da instituição, segundo o vice-presidente de Gestão Financeira e de Relações com Investidores, Ivan de Souza Monteiro.

"Ao elevar a liquidez das ações do BB em bolsa, o banco poderá capturar um benefício de maior valorização dos papéis, o que nos permitirá ter uma maior presença no Ibovespa, que terá a sua metodologia alterada no ano que vem", explicou ele, em entrevista ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado.

Ao ter maior participação no índice, os fundos que replicam o Ibovespa, lembra Monteiro, terão de comprar mais ações do BB, o que contribui ainda mais para o aumento da liquidez e a valorização dos papéis. O executivo ressalta ainda que um dos indicadores que será levado em consideração na nova metodologia é exatamente o valor de mercado.

Monteiro negou, entretanto, que a alteração tenha qualquer relação com a necessidade de o Banco do Brasil elevar seu capital. "O objetivo do aumento do limite é, uma vez que ocorrerá uma alteração no índice Ibovespa, nos anteciparmos e gerar mais liquidez para a ação do banco na bolsa", afirmou o vice-presidente da instituição.

Segundo ele, a participação estrangeira no capital do BB alcançou 19,97% em maio deste ano, muito próximo dos 20% autorizados, o que motivou a instituição a elevar o limite. Além disso, tem sido constante, de acordo com o executivo, a busca de estrangeiros por informações e o interesse de participar das oportunidades de investimento no Brasil.

O último aumento de participação estrangeira no capital do BB ocorreu em setembro de 2009, quando passou de 12,5% para 20%. Na ocasião, também foi aprovada emissão de American Depositary Receipts (ADR) da instituição, realizada em dezembro do mesmo ano.

Antes disso, em maio de 2006, o governo liberou elevação de participação estrangeira no capital do BB, de 5,6% para 12,5%.

Em junho, dado mais recente disponível, o Banco do Brasil contava com participação estrangeira em seu capital de 19,4%, segundo informações do relatório que acompanha as informações financeiras da instituição do segundo trimestre.

O porcentual é 1,9 ponto porcentual superior a de um ano atrás, de 17,5%. A fatia representa mais de 64% do free float (ações em circulação em mercado) do BB, de 30,2%, em junho.

Atualmente, a composição do capital social do BB é a seguinte: Secretaria do Tesouro Nacional, com 50,73% das ações; Caixa FI Garantia Construção Naval com 3,69%; Fundo Fiscal de Inv. e Estabilização, 3,86%; Fundo Garantidor Para Investimentos, 0,26%; Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, 10,38%; BB Fgeduc - Fundo de Investimento Multimercado, 0,22% e BB FGO - Fundo de Investimento em Ações, 0,33%; além de 29,82% das ações como outros (livre circulação no mercado) e em Tesouraria, 0,7%, conforme dados disponíveis na BM&FBovespa referentes a outubro.

Tópicos: Acionistas, Banco do Brasil, Bancos, Empresas, Empresas brasileiras, Empresas abertas