As empresas de água e energia do Brasil estão carregando dívidas pesadas e sem precedentes, em um momento em que o acesso ao mercado de crédito está cada vez mais restrito.

Em um relatório divulgado no mês passado, o JPMorgan estimou que a dívida líquida das empresas somavam R$ 87,2 bilhões (US$ 22,3 bilhões) no fim do terceiro trimestre. 

Para piorar, a maior parte desse total está ligada à taxa Selic, de 14,25 por cento, a mais elevada em quase uma década porque o governo enfrenta dificuldades para domar a inflação.

Concessionárias como a Cemig e a Copasa terão dificuldades para refinanciar dívidas já que o mercado de crédito local está se retraindo com a mais aguda recessão em mais de um século, aprofundada por uma crescente turbulência política, disse Marcos Severine, analista do JPMorgan. 

As empresas do setor captaram apenas R$ 12,6 milhões em financiamento no mercado de bonds local em 2015, 37 por cento menos que no ano anterior.

“A alta alavancagem do setor é preocupante porque ocorre em um contexto de falta de liquidez e de crédito do mercado brasileiro”, disse Severine em entrevista.

Seca

As geradoras de energia viram suas dívidas cresceram depois que uma forte seca derrubou os níveis de água das usinas hidrelétricas para mínimas recordes em 2015, forçando o religamento das usinas de energia termelétrica, que é mais cara. 

O aumento dos custos veio também depois que a presidente Dilma Rousseff exigiu cortes de 20 por cento nos preços médios da energia para conter a inflação, em 2013.

A Cemig tem R$ 4,3 bilhões em dívidas com vencimento em 2016. A alavancagem da empresa com sede em Belo Horizonte provavelmente atingirá 5,4 vezes os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização neste ano, segundo o Banco Itaú BBA. 

Em um comunicado enviado por e-mail, a Cemig disse que espera refinanciar sua dívida com vendas de bonds e empréstimos de bancos controlados pelo governo.

Os investidores também estão questionando a capacidade de algumas concessionárias para refinanciar dívidas porque os bancos já não estão mais dispostos a aumentar sua exposição ao setor, disse Alexandre Montes, analista da Lopes Filho & Associados Consultores de Investimentos.

“A Cemig está em uma situação delicada”, disse ele.

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