Rio - A inflação começou o ano de 2016 pressionada por reajustes em tarifas de transporte e por alimentos.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) subiu 0,92% em janeiro, a maior taxa para o mês desde 2003, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Diante do resultado, economistas avaliam que a desaceleração do índice esperada para este ano deve ocorrer em velocidade mais lenta que o projetado.

A taxa de inflação anunciada ontem, por exemplo, deve ser ultrapassada já no fim de janeiro, uma vez que o IPCA cheio do mês (o IPCA-15 é calculado levando em conta o período do dia 16 do mês anterior ao dia 15 do mês atual) absorverá maior impacto dos aumentos em preços administrados enquanto os alimentos não darão trégua. Pesquisa realizada pela Agência Estado após a divulgação do IBGE mostra que os analistas esperam, em média, alta de 1,06% na inflação oficial de janeiro.

Também estão na mira dos economistas o aumento do ICMS (principal fonte de arrecadação dos Estados) em diversos locais e o reajuste do salário mínimo, que pode afetar preços de serviços. Tudo isso dificulta a missão do Banco Central de trazer a inflação para dentro dos limites do regime de metas, cujo teto é 6,5%.

Pelo menos em janeiro a taxa em 12 meses permanecerá em dois dígitos. Na prévia da inflação, esse indicador ficou em 10,74%, levemente acima dos 10,71% obtidos no IPCA-15 de 2015 e no sentido contrário da desaceleração tão aguardada para 2016. "A inflação em 12 meses não deve retroceder no primeiro trimestre como se imaginava", afirmou o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito.

Além de seguir em passos lentos, a redução na taxa deve ser menor do que a desejada e insuficiente para voltar aos limites da meta este ano. "Tendo a acreditar que devemos observar alguma desaceleração do IPCA neste ano, mas ela deve ser bem menor do que esperávamos", disse o economista Márcio Milan, da Tendências Consultoria Integrada. Ele projeta avanço de 7% em 2016, com viés de alta.

Juros

A dificuldade em segurar a inflação não deve despertar, porém, um novo ciclo de alta nos juros, avaliou Perfeito. Após a mudança repentina na comunicação do Banco Central, que foi sucedida pela manutenção dos juros básicos em 14,25% ao ano na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta semana, a autoridade não reverterá essa posição, acredita o economista.

"O BC está esperando se materializar o ajuste por outras vias", analisou. Segundo ele, um desses ajustes é o do mercado de trabalho, em que o aumento do desemprego e a queda na renda dos brasileiros contribuirá para levar a inflação a 6,6% este ano. "O que estamos fazendo é retroceder a classe média ao nível de produção que temos para ver alívio na inflação."

Os preços monitorados, que foram as principais fontes de pressão sobre o IPCA de 2015, começaram 2016 como destaques da inflação mais uma vez. Reajustes nas tarifas de ônibus urbano em quatro cidades (Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e São Paulo) levaram o item a subir 1,92%. Os alimentos não ficaram atrás e, sozinhos, responderam por quase metade da taxa do IPCA-15 deste mês, apontou o IBGE. (Colaboraram Denise Abarca, Maria Regina Silva e Mário Braga)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Tópicos: IBGE, Estatísticas, Inflação, Preços