São Paulo – Amanhã o IBGE divulga a inflação, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), referente ao mês de março. Existe a expectativa no mercado de que a taxa acumulada em 12 meses (até março) passe o teto da meta de inflação (6,50%).

A última vez que a inflação acumulada em 12 meses ultrapassou o teto da meta foi em novembro de 2011, quando chegou a 6,64%, segundo dados do IBGE – no mês seguinte ela ficou exatamente na meta, 6,50%. Em 2011, a inflação acumulada em 12 meses havia começado a ultrapassar o teto em abril.

O Boletim Focus dessa semana mostra uma expectativa de que o IPCA tenha registrado alta de 0,50% em março – o que levaria a inflação acumulada em 12 meses para acima do teto da meta de 6,5%. Essa mesma projeção apareceu em relatórios do Credit Suisse, LCA e Santander dessa semana. “Se nossa projeção de confirmar, devemos contar com uma alta de 6,6% nos últimos 12 meses (acima do teto da meta de inflação)”, afirmou o Santander.

Em boletim divulgado na segunda feira, o Bradesco afirmou que o resultado da inflação que será apresentado amanhã será importante para definir os próximos passos de política monetária no país, tendo em conta as declarações e comunicados recentes dos dirigentes do Banco Central. A equipe econômica do banco espera uma desaceleração da inflação ao consumidor para 0,48% no período, após alta de 0,6% registrada em fevereiro.

A inflação de março será a pior da série deste ano, segundo relatório da Gradual Investimentos assinado por seu economista-chefe, André Perfeito. “Até mesmo os mais pessimistas veem no final do ano com IPCA mais baixo que agora”, diz o relatório.

Juros

Para a LCA, no contexto de inflação acumulada nos últimos 12 meses acima do teto da meta é provável que uma parte do Comitê de Política Monetária vote por uma elevação imediata de juros – mas na reunião de maio e não na próxima semana.

No entanto, a LCA avalia que, se a Selic não começar a ser ajustada já na reunião da próxima semana, poderão aumentar as chances de que o Banco Central desarme o aperto monetário. O cenário base de ajuste da LCA é de três elevações de 50 pontos-base - ou seja, o juro básico chegaria a 8,75% ao ano. Mas a consultoria avalia ser mais provável que o orçamento total do ajuste seja menor do que esse.

“É forçoso reconhecer, todavia, que essa perspectiva para a Selic continua cercada de incertezas – em boa medida por causa do malogro da comunicação oficial em coordenar as expectativas de mercado, que continuam bastante dispersas (tanto para a inflação como para a Selic)”, afirma o relatório da LCA. 

Para a Gradual, o Banco Central está sendo cobrado injustamente. “A fatura da conta do desconforto gerado pela menor taxa de juros do país tem que ser endereçada ao Planalto, não ao BCB”, afirma o material.

A Gradual Investimentos também não acredita que o BC vai elevar a Selic na reunião de maio. “Não há nenhuma desculpa racional para elevar a Selic a não ser resolver o mal-estar difuso do menor patamar de taxa de juros que o Brasil já experimentou”, afirma o relatório. A Gradual afirma que, se o Banco Central elevar a Selic, é muito provável que o Real se sobrevalorize ainda mais, tornando o aperto externo ainda pior.

Segundo a LCA, uma surpresa adversa - com a inflação vindo acima das expectativas – poderia levar o Comitê a iniciar, já na semana que vem, um ciclo de ajuste das condições monetárias. “Ao contrário, uma surpresa benigna poderia aumentar as chances de que o ciclo de alta da Selic seja desarmado”.

Em seu relatório de inflação, o Banco Central informou que a projeção para a inflação, medida pelo IPCA, este ano, é 5,7%. A convergência da inflação para o centro da meta, 4,5%, este ano é um “cenário irrealista”, chegou a afirmar o diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Carlos Hamilton Araújo, ao apresentar o Relatório de Inflação. O Boletim Focus divulgado nessa segunda feira projeta IPCA de 5,70% em 2013 – e elevação da Selic na reunião de maio, passando de 7,25% ao ano para 7,50% ao ano.

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