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Delfim Netto: "Se o miserável do Banco Central não elevar os juros, vão dizer que ele passou a ser dependente (do governo)"
São Paulo - Embora seja um dos principais conselheiros econômicos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-ministro da Fazenda Delfim Netto critica a perda de transparência nas contas fiscais, gerada pela exclusão da Eletrobras dos cálculos e a antecipação de receitas do pré-sal. “O governo deveria ter dito claramente: ‘Esse ano nós não vamos cumprir isso (a meta) porque nós estamos preferindo estimular o desenvolvimento econômico do Brasil e recuperar o tempo perdido na crise’. Não teria nenhum problema.”
Em entrevista ao programa “Momento da Economia”, na Rádio EXAME, Delfim demonstrou indignação com o fato de o Brasil ainda ter a maior taxa de juros real do mundo. “Não é concebível nem justificável imaginar que o Brasil é um país teratológico que precisa de uma taxa de juros real de 7%. Isso é uma das coisas absurdas com a qual nós temos vivido nos últimos 25 anos.”
A consequência óbvia, segundo o economista, é a valorização cambial, que prejudica o setor industrial. O Brasil tem registrado ótimo desempenho nas exportações de matéria-prima, mas números negativos em vendas de manufaturados.
“A sobrevalorização do câmbio por um tempo tão longo produz resultados muito ruins do ponto de vista do futuro do Brasil. O Brasil não é um país pequeno, vai ter 230 milhões habitantes em 20 anos e vai ter de dar emprego de boa qualidade para 150 milhões pessoas. Você não vai fazer isso exportando matéria-prima para China, né?”
Durante a entrevista (para ouvir a gravação na íntegra, clique na imagem ao lado), Delfim Netto também falou sobre a disputa do Banco Central com o mercado financeiro, as negociações do governo com as centrais sindicais em torno do reajuste do salário-mínimo e o papel do BNDES na economia.
EXAME.com - O Brasil vive ou não um processo de desindustrialização?
Delfim Netto - É muito difícil você dizer o que é desindustrialização. Inclusive, essa ideia de uma doença holandesa tem atrapalhado a análise do assunto. Evidentemente o Brasil tem hoje uma taxa de câmbio supervalorizada – a mais valorizada do mundo quando você pega um horizonte de 24 meses – e compete num mundo onde tem taxas de câmbio enormemente desvalorizadas, particularmente na China. Com isso, é criada uma dificuldade muito grande de exportação de produtos industrializados.
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Eduardo Motta
Se Delfim falou que "deveria ter dito que nao iria cumprir" então o governo agiu certo... Não sou PT...
13.12.2010 | Ler comentário completo |