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Delfim Netto: "Se a Suíça é desenvolvida, eu quero ser subdesenvolvido"
São Paulo - Delfim Netto é um daqueles palestrantes que dispensam apresentações. Chamá-lo de professor é a forma mais simples e precisa de resumir o seu extenso currículo dentro e fora do governo. Quando o seu nome é anunciado, a plateia esfrega as mãos e aguarda ansiosamente a análise apimentada, a opinião muitas vezes polêmica e, principalmente, as frases bem humoradas.
Foi exatamente isso que aconteceu no INFO SUMMIT, nesta quarta-feira (1º), em São Paulo. Antônio Delfim Netto, 82 anos, subiu ao palco e participou de um talk show com a diretora de redação de EXAME, Cláudia Vassallo. O bate-papo foi interrompido inúmeras vezes por risos e aplausos causados por declarações do professor.
EXAME.com compilou as principais frases que provocaram alvoroço na plateia e as suas respectivas explicações econômicas.
Juros: “O Brasil é o último peru com farofa na mesa dos investidores fora do Dia de Ação de Graças” - Delfim Netto lamentou que boa parte dos estrangeiros não está trazendo investimento direto, ou seja, no setor produtivo, mas indo para a bolsa de valores e os títulos públicos. “O Brasil não precisa de recursos externos para financiar a dívida pública. E por que os estrangeiros vêm com grande entusiasmo? É claro, porque Brasil é o último peru com farofa na mesa dos investidores fora do Dia de Ação de Graças”, disse, se referindo a uma das maiores taxas de juros do mundo. O economista salientou que os especuladores estão fazendo o papel deles. “Quem não está fazendo o seu papel é o Brasil.”
Câmbio: “Quanto eu estudei economia, na Idade Média, o câmbio era fruto do equilíbrio entre as exportações e as importações de bens e serviços” - Delfim Netto disse que o câmbio no Brasil está valorizado por causa da especulação que investidores estrangeiros fazem com a nossa taxa de juros. “Quando eu estudei economia, na Idade Média, o câmbio era o preço relativo que equilibrava o fluxo de exportação de bens e serviços com o fluxo de importação de bens e serviços. O câmbio, atualmente, não tem mais nada a ver com o equilíbrio em contas correntes. O câmbio brasileiro é um ativo financeiro que está no portfólio de milhares de sujeitos espalhados em 140 países fazendo especulação ou arbitragem por algorítimos de um bilésimo de segundo e procurando diferença na terceira casa decimal.” Segundo o ministro da Fazenda, o Brasil precisa fazer um ajuste fiscal que permita a redução dos juros.
Inflação: “Todos já deveriam ter aprendido que todos os modelos são errados; alguns são úteis” - Ainda sobre os juros, Delfim Netto afirmou que não há motivos para o Brasil ser a única nação do mundo a pagar uma taxa real de 7%. “Eu morro de dar risada quando as pessoas vêm e me dizem: ‘Mas Delfim, isso é o que os modelos (de inflação) produzem’. Ora, todos já deveriam ter aprendido que todos os modelos são errados; alguns são úteis. Se eu construo um modelo, que no fundo é uma caixa-preta, eu tenho que colocar o passado e o que eu suspeito que será o futuro. Só que se eu errei o passado, ele (o modelo) simplesmente diz pra mim: ‘Para acertar, continue errando’. Então, é preciso que a gente desmoralize isso.” O ex-ministro da Fazenda reitera que é preciso um programa fiscal que atinja o equilíbrio nominal em dois ou três anos, com os gastos correntes crescendo num ritmo ligeiramente menor que o do PIB.
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Jean-Marc Benaron
Vamos lembrar que o mesmo Delfim na época do Milagre Brasileiro, fez com que várias empresas Brasileiras...
04.12.2010 | Ler comentário completo |
Jaciara Carneiro
Ser palestrante e comentarista esportivo é bom porque você pode criticar a tudo e a todos sem grandes...
03.12.2010 | Ler comentário completo |
Luís Artur de Barros Nogueira
Prezado Emílio, de fato foi um equívoco do repórter e não do professor Delfim Netto. Obrigado pelo alerta...
02.12.2010 | Ler comentário completo |
Emílio Carazzai
Nas gerações passadas éramos católicos praticantes; e é provável que Delfim também o fosse. Portanto...
02.12.2010 | Ler comentário completo |
Guilherme Carrara Neto
Delfim continua impagável. Lúcido e cristalino aos 82 anos. Mais mil anos para você.
02.12.2010 |