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Análise | 09/08/2012 21:30

Febraban estava certa: o cavalo não quis beber água

Embora publicamente apoiem a cruzada do governo por juros mais baixos, grandes bancos do país mostraram com os balanços que, na prática, valeu a velha cartilha bancária

ROBERTO SETTON/EXAME

Oferta de crédito pessoal, em uma rua de São Paulo

Oferta de crédito pessoal, em uma rua de São Paulo: os grandes bancos privados também reduziram as perspectivas de crescimento do crédito 

São Paulo - Números parciais dos balanços dos bancos no segundo trimestre consolidaram as suspeitas: o apoio das grandes instituições privadas à campanha do governo brasileiro para ampliar os empréstimos e reduzir os spreads ficou no plano político.

Embora publicamente apoiem a cruzada do governo por juros mais baixos para sustentar o crescimento de longo prazo do país, gigantes como Bradesco, Itaú Unibanco e Santander Brasil mostraram com os resultados do segundo trimestre que, na prática, prevaleceu a ortodoxia da cartilha bancária, que recomenda prudência em tempos adversos, como os de desaceleração econômica e aumento da inadimplência.

De um lado, os bancos aumentaram provisões para perdas com calotes, e de outro desceleraram a concessão de novos empréstimo.

Além disso, os banqueiros enfatizaram que uma redução maior dos spreads só virá com queda da inadimplência e menos encargos, como impostos e compulsórios.

"Não é normal ter spreads reduzidos com inadimplência alta", disse o presidente-executivo do Santander Brasil, Marcial Portela, ao comentar os resultados do segundo trimestre.

Em abril, ao cobrar queda de juros pelos bancos, a presidente Dilma Rousseff afirmara ser inadmissível que o Brasil, tendo um sistema financeiro sólido e lucrativo, continuasse com um dos juros mais altos do mundo.

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