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Para Maurício Molan, economista-chefe do Santander, o cenário observado atualmente é um problema estrutural proveniente ainda da crise de 2007. "Vivemos um período de bonança muito longo nas décadas de 90 e na última década. Com isso, os países sentiram-se confortáveis para consumir de maneira forte e se endividar, mas esse ritmo não se mostrou sustentável", avalia.
Ajuste – Na avaliação do economista, a bonança terá de passar por uma fase de ajuste, pois, com governos assumindo parte das dívidas dos países, o problema do endividamento soberano se evidencia, haja vista o que ocorre na Europa. Tal cenário exige medidas austeras de ajuste fiscal que nem sempre estão alinhadas com estratégias de estímulo ao crescimento. O principal efeito disso para o Brasil, segundo Molan, é a queda da demanda por produtos brasileiros no mercado internacional.
Os preços das commodities, cujo crescimento anual tem sido, em média, de 10% nos últimos anos, vão se deparar com um período de queda – o que causará impactos no médio prazo para o país, aposta o economista do Santander. "O crescimento médio de 4,3% da economia brasileira que observamos entre 2003 e 2011 provavelmente não acontecerá na próxima década. Ele deve ficar entre 3% e 3,5%", conclui Molan.
Câmbio e juros – Os empresários também foram questionados acerca da expectativa em relação a taxa de câmbio. A maioria acredita que a moeda americana deva ficar entre 1,80 real e 2 reais (51,1%) ou entre 2 reais e 2,20 reais (47%).
Diante da recente trajetória de redução da taxa básica de juros (Selic), 75% das empresas afirmaram que essa desvalorização cambial não vai impactar seus investimentos. Os empresários também debateram as necessidades de investimentos estruturais de longo prazo no lugar de o governo realizar apenas medidas paliativas de incentivo ao consumo.
Luis Afonso Lima, economista-chefe da Telefonica, defendeu que este é um bom momento para oferecer oportunidades e boas condições de investimentos para empresas estrangeiras, pois a poupança externa – que se traduz em investimento direto de empresas estrangeiras – pode ser uma boa alternativa ao financiamento do Brasil. "Para nossa surpresa positiva, o investimento direto estrangeiro vem aumentando nos últimos anos apesar da dificuldade do mercado brasileiro. No ano passado, o Brasil foi o quarto maior destino de investimentos de empresas estrangeiras", afirmou.
Segundo Lima, atualmente há 13.600 empresas estrangeiras instaladas no país – e a Espanha é o segundo grupo mais numeroso nesse universo. "A conclusão é que a taxa de juros no investimento de longo prazo tem impacto muito pequeno. Se o crescimento for sustentável, o Brasil poderá até se beneficiar com essa crise externa. Existe aqui um consumo estável, algo que não está acontecendo lá fora", avalia.
Já Molan acredita que o cenário de investimentos poderia ser muito melhor e que a baixa produtividade prejudica a competitividade dos produtos brasileiros. "Gerar consumo não é difícil. O difícil é gerar mudanças que possam melhorar nossa capacidade de investimento", afirma.
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