São Paulo - Em março de 2011, o Escritório Nacional de Pesquisa Econômica dos Estados Unidos publicou um trabalho com o título "Quando economias de rápido crescimento desaceleram: evidência internacional e implicações para a China".

Os autores eram Barry Eichengreen, da Universidade da Califórnia em Berkeley, Kwanho Shin, da Universidade da Coreia, e Donghyun Park, do Banco de Desenvolvimento da Ásia.

O foco eram os países, especialmente asiáticos, que cresceram rapidamente na segunda metade do século XX e começo do século XXI até se tornaram de renda média. 

A conclusão: o crescimento da China cairia em cerca de 3 pontos percentuais quando seu PIB per capita atingisse o patamar de US$ 17 mil (usando como referência preços internacionais em 2005), por volta de 2015.

Dito e feito. Nesta semana, a China anunciou que cresceu 6,9% em 2015, sua menor taxa desde 1990 e cerca de 3 pontos percentuais abaixo da média entre 2008 e 2011.

Em email para EXAME.com, Eichengreen reconhece que foi presciente, mas diz que não aposta em uma queda ainda maior do crescimento chinês:

"Não vejo uma desaceleração maior e abrupta como um evento de alta probabilidade. A China ainda é uma economia controlada o suficiente para que as autoridades possam controlar o nível de desaceleração - e agora eles estão usando injeções de liquidez para fazer justamente isso".

A China tem atraído críticas por algumas atitudes erráticas diante das preocupações com sua economia. US$ 170 bilhões em dinheiro privado deixaram o país só em dezembro, de acordo com estimativas de Giles Gale, do RBS.

"Uma parte destas injeções de liquidez vai vazar para fora, produzindo fuga de capital. Isso, por sua vez, vai levar a taxas de câmbio relativamente mais baixas ao longo do ano. Enquanto isso as autoridades estão apertando as restrições para limitar a fuga de capitais e a depreciação cambial para não desestabilizar as expectativas", diz Eichengreen.

De acordo com o banco central da China, mais de US$ 108 bilhões em reservas foram queimados em dezembro, o equivalente a cerca de US$ 3,5 bilhões por dia, como forma de evitar depreciações maiores do iuane.

Outro que não espera uma desaceleração muito maior da China é o economista americano tradicionalmente pessimista Nouriel Roubini, que deu sua opinião em Davos:

"Minha visão é que a China terá um pouso atribulado e não forçado, com crescimento neste ano de 6% indo para 5%. Aqueles que dizem que é 4% indo para zero, acho que estão errando. Não percebem que o setor de serviços está crescendo numa velocidade muito mais rápida do que o setor de manufatura".

Já o megainvestidor George Soros está menos otimista, como disse em entrevista para a Bloomberg: "Um pouso forçado é praticamente inevitável. Não é algo que eu esteja esperando, é algo que eu estou observando".

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