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Dilma quer juros reais a 2%, mas há obstáculos no caminho
São Paulo – A presidente Dilma Rousseff estabeleceu como meta atingir o patamar de juros reais de 2% até o final de seu mandato e vem tomando as providências necessárias para chegar lá.
Com a mudança nas regras da poupança, o Banco Central fica com o caminho aberto para continuar cortando a Selic e o governo poderá aproximar-se cada vez mais do objetivo.
Mas é possível ter juros reais de 2% no Brasil? A resposta de Márcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Economica Aplicada (Ipea), em um evento nesta manhã, foi curta e grossa: “Em outros países é, por que não aqui? Não somos uma jabuticaba”.
Na prática, o caminho para chegar aos jutos reais de 2% passa por alguns obstáculos.
Até a mudança nas regras da poupança, os juros reais do Brasil – calculados pela diferença entre a Selic e a inflação – estavam na casa de 3,4%, a segunda maior taxa do mundo, perdendo apenas para a Rússia.
“Historicamente, a taxa sempre foi elevada porque o país sempre dependeu muito de capital externo. Como o risco era elevado, era necessária uma taxa de juros mais alta para compensar, além de controlar a inflação, que era galopante. Hoje o momento é diferente”, pondera Felipe Queiroz, analista da Austin Rating, agência classificadora de risco.
Após o anúncio das mudanças na poupança, o mercado já está precificando a Selic em 8,25% ao ano, o que, considerando uma inflação de 5,5%, projeta uma taxa de juro real de 2,7%. Se o Copom derrubar a Selic a 8% ou menos até o final do ano, como apostam alguns analistas, será possível chegar a uma taxa de juro real de 2,5%. Para chegar à meta de 2%, mantendo-se a inflação constante, seria necessária uma taxa Selic de 7,5%.
A dúvida é: a inflação continuará mesmo constante ou, com abundância de crédito barato no mercado, o aumento no consumo fará o índice disparar? A indústria tem capacidade para atender o aumento na demanda interna? E, com preços mais elevados, o consumidor brasileiro, que já apresenta alto nível de endividamento e taxas crescentes de inadimplência, terá fôlego para alimentar o crescimento econômico almejado pelo governo?
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