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Delfim Netto: ‘Na minha opinião será transferido sim, mas será uma redução infinitesimal do spread”, disse
São Paulo * - A redução do compulsório, anunciada na última sexta-feira, é uma redução dos impostos sobre os bancos, segundo Antônio Delfim Netto, ex-ministro da Fazenda. Para Delfim Netto, a medida vai permitir uma melhoria na relação entre bancos e setor privado e até redução dos spreads. “É mais um passo na redução da tributação”, disse.
O ex-ministro acredita que os bancos não vão absorver como lucros essa redução, mas que vão repassar muito pouco disso, refletindo numa redução que chamou de "infinitesimal" (tão pequena que é difícil ser medida) do spread. “Eles estão reduzindo também a tributação do sistema bancário, é mais um passo na redução da tributação”, disse Delfim Netto. A medida deve facilitar a transferência de crédito entre os bancos, segundo o ex-ministro.
Na sexta-feira, o Banco Central reduziu as alíquotas do recolhimento compulsório sobre depósitos à vista e a prazo. A alíquota adicional incidente sobre os depósitos à vista foi reduzida de 6% para zero. A alíquota adicional do depósito a prazo foi reduzida para 11%, ante 12% (surtirá efeito a partir de 29 de outubro).
Crescimento
Para Delfim, em 2012 o Brasil vai crescer menos de 2%, por volta de 1,7% ou 1,8%. Há um início de recuperação, segundo o ex-ministro, que citou as medidas tomadas para acelerar o crescimento e o avanço de incorporar o setor privado nos programas de infraestrutura. “Daqui a oito ou dez meses esses investimentos estarão surtindo efeito”, afirmou.
A dúvida, segundo Delfim, é se já foram feitos muitos estímulos e, no futuro, o país terá alguma pressão sobre os preços por causa do excesso de estímulos. Delfim acredita que o Brasil voltará a crescer 4% - “o que é bastante razoável para o país e, em 2030, daria uma renda per capita parecida com a de Portugal de hoje”, afirmou.
Delfim afirmou que, hoje, o Brasil enfrenta um grande problema com a tributação. “Certamente houve um enorme aumento de carga”, disse. O ex-ministro defendeu a aprovação da proposta feita pela CUT ao governo, “precisamos nos livrar desse peso que adquiriu o judiciário trabalhista”, disse.
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