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O ex-diretor do BC e sócio da Mauá, Luiz Fernando Figueiredo
O economista Luis Fernando Figueiredo, sócio da Mauá Investimentos, tem 30 anos de experiência no mercado financeiro, incluindo uma passagem de 1999 a 2003 pelo Banco Central, como diretor de política monetária. De acordo com ele, os reflexos da crise das dívidas da Grécia, Espanha e Portugal no Brasil por ora estão restritos às bolsas. Figueiredo prevê que essa turbulência seja passageira. Mas diz que o momento é de cautela. Caso os problemas lá fora se prolonguem, o temor pode se alastrar e contagiar a economia real. Os efeitos negativos viriam na forma de aumento do custo do dinheiro, aperto no crédito e reavaliação de investimentos. Leia a seguir a entrevista completa com Figueiredo.
O mercado tem motivos para o estresse dos últimos dias?
Figueiredo - O mercado vive e se realimenta de expectativas. Às vezes, antecipa um monte de fatos que depois realmente não acontecem. No momento, o que há de mais relevante por trás da turbulência das bolsas é o que está ocorrendo na Europa. Lá, como em outros lugares do mundo, muitos governos recorreram a uma forte expansão fiscal para evitar que o mundo fosse para o buraco, ou seja, que a crise financeira virasse uma depressão. Isso foi conseguido. Porém, o custo dessa conquista foi a ampliação da dívida pública de diversos países.
Esse problema não está restrito a alguns países?
Figueiredo - Para alguns países isso não é um grande problema. Os Estados Unidos, por exemplo, tiveram um aumento da dívida líquida da ordem de 40% para 70% do PIB, o que ainda é administrável. Mas, na Europa, muitos países já estavam em situação frágil, com dívidas públicas e déficits elevados antes da crise de 2008. Esse problema se torna ainda mais grave num quadro de economia andando devagar, porque quando há crescimento econômico são geradas receitas para abater o endividamento. Sem crescimento, o custo tende a ser ampliado.
Por que os países europeus estão sendo cobrados agora?
Figueiredo - A conta da expansão fiscal começou a ser cobrada antes do que se esperava. Os primeiros a ser cobrados são os países mais fragilizados, como a Grécia. Os do Leste europeu também estavam em situação difícil, mas receberam uma injeção de dinheiro. A Grécia tem uma dívida grande, déficit público enorme e tem muitos vencimentos de sua dívida no curto prazo. Além disso, é um país recém admitido entre os desenvolvidos, e não tem a mesma credibilidade, o mesmo histórico, da Espanha. Embora seja um país pequeno, sua situação cria um temor de contágio sobre outros países. Foi o que ocorreu quando a Rússia quebrou, em 1997. Naquela ocasião, todo mundo olhou para o Brasil, e nós, que também estávamos fragilizados na época, fomos atingidos. Hoje, nossa situação está diferente, o Brasil está bem melhor. (Continua)
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