São Paulo - Já pensou em ter que apresentar passaporte para viajar entre a França e a Alemanha? Isso pode voltar a ser realidade.

Estabelecido em 1995, o chamado "Espaço Schengen" que garante a livre circulação de pessoas em 26 países (a maioria da União Europeia) está sob ameaça.

Países como Noruega e Suécia estão usando brechas para estabelecer verificações (no momento temporárias) diante da crise dos refugiados e dos riscos de terrorismo.

Como a Schengen é um dos pilares da integração europeia, inclusive econômica, sua reversão teria consequências bem concretas, como apontou nesta semana um centro de estudos ligado ao escritório do primeiro-ministro da França.

Nenhum outro país no mundo recebe tantos turistas quanto a França: em 2014, 83 milhões passaram pelo menos uma noite no país e 122 milhões passaram o dia.

Na medida em que fronteiras desestimulam visitas curtas (e com o reestabelecimento de vistos como possibilidade), o país poderia sofrer uma perda anual entre 500 milhões e 1 bilhão de euros.

O controle maior também aumentaria o tempo de deslocamento de pessoas e mercadorias: de acordo com o relatório, as restrições recentes já aumentaram em até meia hora o tempo necessário para cruzar a fronteira entre França e Luxemburgo.

Haveria impacto também nos fluxos financeiros e de investimento. Nada mais natural, já que a lógica por trás de abrir fronteiras foi justamente a de estimular trocas mais intensas.

"No longo prazo, diferentes estudos sugerem uma queda do comércio bilateral entre os países da área Schengen de mais de 10%, o que por sua vez induz a uma queda de 0,8% no PIB da zona", diz o texto.

Se fosse equivalente a um novo imposto, seria de 3%, criando uma conta para a França no valor de mais de 10 bilhões de euros, ou 0,5% do PIB.

E isso sem falar nos custos fiscais envolvidos em implementar as mudanças em si, contratando agentes e criando bloqueios, por exemplo.

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