São Paulo - O petróleo atingiu nesta semana seu preço mais baixo em quase 12 anos.

Em meados de 2014, um barril chegou a valer 115 dólares. Atualmente, está abaixo dos 30 dólares - uma queda de cerca de 74%.

Bob Duley, presidente da British Petroleum, brincou nesta semana, em uma conferência do setor, que em breve as pessoas estariam enchendo suas piscinas com petróleo. 

A queda do preço é resultado basicamente de demanda fraca (com a fraqueza da economia global e especialmente da China) combinada com oferta abundante (entrada do Irã e de outros atores no mercado), mas as consequências vão em várias direções.

Se sustentada, a queda do preço pode empurrar US$ 3 trilhões por ano de produtores de petróleo para consumidores globais, uma das maiores transferências de riqueza na história humana, diz uma nota recente do Bank of America Merrill Lynch.

As empresas de petróleo estão vendo suas ações despencarem (Petrobras entre elas), enquanto os países produtores sofrem com a queda acentuada de receitas (um dos principais fatores nas crises da Rússia e da Venezuela).

O mundo sem petróleo

No curto prazo, a impressão tem sido que os mercados financeiros e o preço do petróleo estão se movimentando com sincronia (afundando, basicamente).

Há alguns dias, o banco americano Morgan Stanley lançou um relatório com a seguinte pergunta: como estaríamos neste início de ano se o mundo simplesmente não tivesse que se preocupar com o petróleo?

O primeiro passo foi lembrar que correlação e causalidade são duas coisas diferentes. Se dois indicadores estão andando juntos, isso não significa que um esteja conduzindo o outro.

"Na nossa visão, o petróleo e os mercados estão se movimentando juntos porque eles são conduzidos por coisas similares: preocupações com crescimento, falta de apetite por risco e um dólar incansavelmente forte na conta ponderada pelo comércio", diz a nota da equipe liderada por Andrew Sheets.

Perdas e ganhos

Muitos esperavam que na medida que as pessoas precisassem gastar menos com petróleo, usariam o dinheiro que sobrou para comprar outras coisas e movimentar a economia. Este efeito acabou sendo menor do que o esperado.

O mundo desenvolvido (e especialmente a Europa) tem lutado contra a ameaça da deflação e a queda do petróleo não está ajudando. No entanto, as medidas de inflação do "mundo sem petróleo" continuam estáveis, diz o banco. 

Outro indicador que tem assustado o mercado é o da produção industrial americana - que caiu no começo da recessão de 1990, no começo da recessão de 2001, no começo da recessão de 2008, e está caindo hoje.

Só que tirando o setor de energia, este número fica bem mais estável. A mesma coisa acontece com os rendimentos das empresas americanas e europeias.

Moral da história: "o petróleo está claramente impactando uma série destas medidas batidas. O ceticismo deve ser aplicado nas duas direções".

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