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Preparação | 02/08/2012 09:29

Com um olho no PIB e outro no mensalão, Dilma faz pacotes

Foco das novas medidas de estímulo serão a desoneração tributária, as obras de infraestrutura e a redução das tarifas de energia elétrica

Naiara Infante Bertão, de

Paul Hackett/Reuters

Dilma Rousseff visitando o Reino Unido

Dilma Rousseff deseja que agosto seja marcado como o mês da virada para a economia

Ainda neste mês, uma presidente da República preparada para transmitir otimismo aos brasileiros – sobretudo aos empresários que relutam em investir – virá a publico para divulgar mais um pacote econômico. Ainda que o Palácio do Planalto tenha anunciado diversos deles nos últimos meses, sem colher resultados expressivos, Dilma Rousseff deseja que agosto seja marcado como o mês da virada. A diferença é que, desta vez, não será apenas um, mas sim três grandes projetos a serem revelados pelo governo federal.

Conforme adiantado pelo redator-chefe de Veja, Lauro Jardim, os alvos serão mais desoneração tributária para a indústria, estímulos a obras de infraestrutura e diminuição dos encargos do setor elétrico. Tudo para tentar fazer com que o Produto Interno Bruto (PIB) não carregue até o final do ano seu atual (e infame) apelido de “pibinho”. A presidente também vê nesses anúncios, no mínimo, uma oportunidade de desviar as atenções do julgamento do mensalão – onde importantes integrantes de seu partido, o PT, estão no banco dos réus – com um noticiário favorável ao governo.

Segundo fontes ouvidas pelo site de Veja, em todos os anúncios haverá um ponto comum: o desejo da presidente em reduzir o “custo Brasil” que torna a economia doméstica, sobretudo a indústria, pouco competitiva em relação a seus pares internacionais. Com impostos menores, melhor infraestrutura e tarifas mais módicas de energia elétrica, o intuito do Planalto é tentar fazer com que a produção no país fique mais barata – e, consequentemente, os preços. A expectativa é que um dos “pacotões” seja anunciado já em 12 de agosto e os demais até o fim do mês ou, no mais tardar, em setembro.

Mensalão – “O governo tem pressa em apresentar uma agenda positiva por conta do massacre que o julgamento do Mensalão está causando. Assim, amenizaria um pouco a tensão se as medidas saírem até setembro. É uma estratégia política”, disse ao site de Veja uma fonte da indústria, próxima das negociações, que não quis ser identificada.

Um indício do quão acaloradas estão as discussões nos bastidores do Planalto e da Esplanada dos Ministério foi o adiamento de duas reuniões importantes: uma entre integrantes do governo para tratar do Plano Brasil Maior, que aconteceria nesta quinta-feira (dia 2), e outra com 30 empresários para discutir o atual cenário da economia, prevista para a próxima terça-feira (dia 7).

O cancelamento não significa que Dilma desistiu de avançar nestes pontos. Pelo contrário, ela quer planejamento e ação imediata. O governo adiou os encontros para chegar com propostas concretas nas duas.

Os pacotes – Um dos pacotes que Dilma e sua equipe devem anunciar em breve é a ampliação da desoneração fiscal do setor industrial, que pode chegar a 30 bilhões de reais. “O interessante é que o governo está pensando agora em algo mais horizontal, isto é, sem optar por um ou outro produto”, revela a fonte da indústria. Em seus dois “Planos Brasil Maior”, lançados em agosto de 2011 e abril deste ano, a equipe econômica concedeu reduções de impostos a produtos e segmentos escolhidos a dedo. Nesta quarta-feira, por exemplo, entrou em vigor a desoneração de folha de pagamentos de onze segmentos.

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