A China voltou a ver suas exportações e importações caírem em janeiro, em um contexto de degradação contínua da atividade industrial da segunda maior economia mundial.

As exportações do gigante asiático, primeira potência comercial do mundo, caíram no mês passado 11,2%, a 177,5 bilhões de dólares, indicaram nesta segunda-feira as alfândegas chinesas. Expressas em iuane, caíram 6,6%.

A magnitude da queda travou os mercados: analistas consultados pela Bloomberg esperavam um declínio médio de apenas 1,8%. E as exportações haviam diminuído apenas 1,4% em dezembro.

Um sinal de alarme para a economia global: "Isto sugere uma demanda externa sem brilho nos mercados", começando com a União Europeia e os Estados Unidos, principais parceiros da China, afirma o Bank of America Merrill Lynch.

A situação é ainda mais sombria para as importações chinesas, em recuo pelo 15º mês consecutivo: mergulharam em janeiro 18,8% no acumulado do ano, para 114,2 bilhões de dólares.

Mais uma vez, a queda é muito mais brutal do que a previsão dos analistas (-3,6%) e mais pronunciada do que em dezembro (-7,6%).

Esses resultados refletem, em parte, a queda dos preços das matérias-primas, do petróleo e metais, que reduzem automaticamente as quantidades importadas.

Mais importante ainda, "reflete principalmente o fraco investimento" na China, observa Yang Zhao, analista do setor bancário Nomura. Este é o caso no setor imobiliário, um setor sobrecarregado pelo excesso de oferta de habitação, mas também no resto da indústria

Fuga de capital

Por sua vez, confrontado com a diminuição da procura, a atividade industrial continua a recuar: em janeiro registrou sua maior contração em três anos.

A demanda da China por matérias-primas como metais de base e carvão também se viu afetada: em volume, as importações de minério de ferro em janeiro caíram 14% em relação a dezembro, e a de cobre em 17%.

Mas a China terá registrado em janeiro um superávit comercial recorde de 63,3 bilhões de dólares, segundo as alfândegas.

Estes números confirmam o abrandamento da economia chinesa que registrou em 2015, com um crescimento do PIB de 6,9%, seu pior desempenho em 25 anos. O comércio exterior da China contraiu em 8% no acumulado do ano.

A turbulência do mercado de ações e a desvalorização do yuan também afetaram a confiança e alimentaram uma enorme fuga de capitais para fora do país, que pesam sobre o valor da moeda.

A este respeito, o colossal superávit comercial poderia ser percebido por Pequim como uma boa notícia, para reforçar as suas reservas cambiais.

"Isso deve ajudar a compensar parte da saída de capital", que está acelerando, apesar das restrições drásticas impostas pelas autoridades, "e isso vai limitar a pressão para a depreciação do yuan", destacou Liu Li-Gang, economista do ANZ.

No entanto, os números do comércio exterior para janeiro refletem as distorções atribuídas às longas férias do Ano Novo Lunar, cujas datas variáveis ​​complicam as comparações, alerta Julian Evans-Pritchard, da empresa Capital Economics.

Além disso, as autoridades atacaram recentemente as fugas de capitais disfarçadas sob a forma de trocas comerciais (através de sobrecargas), o que reduziu, consequentemente, a quantidade de importações.

No entanto, o quadro não deve mudar durante o Ano do Macaco, apesar das medidas de estímulo do governo, advertem os especialistas do Bank of America Merrill Lynch, que apontam "as perspectivas sombrias para a economia global".

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