São Paulo - A China já é a maior economia do mundo em paridade de poder de compra, diz Joseph Stiglitz em artigo na revista Vanity Fair ilustrado com a imagem de um panda sentando em uma águia.

"A China entra em 2015 na primeira posição, onde provavelmente ficará por um bom tempo, senão para sempre. Desta forma, volta para o lugar onde esteve ao longo da maior parte da história humana", segundo o vencedor do Nobel de Economia em 2001.

Ele está simplesmente lembrando da previsão feita em abril pelo Banco Mundial. Na época, o órgão divulgou a primeira atualização de dados e metodologia do Programa de Comparação Internacional desde 2005 e notou que no seu ritmo de crescimento atual, a economia chinesa ultrapassaria a americana em PPP ainda em 2014.

O "PPP" estima o PIB com base no real custo dos preços e serviços, como se todos os países tivessem uma moeda comum, e não nas taxas de câmbio, que são voláteis e dão um peso desproporcional para quem tem moeda forte.

Pelo critério de taxas de câmbio, o PIB americano ainda é quase o dobro do chinês. Os EUA também ganham de lavada no PIB per capita, que é de US$ 50 mil - 5 vezes maior que o chinês.

Significado

Stiglitz nota que a China está desconfortável em assumir a as responsabilidades que vêm com a liderança. A mesma coisa aconteceu no passado com os EUA, que só assumiriam de vez seu protagonismo depois da Segunda Guerra Mundial.

Desde então, eles cometeram dois erros graves, na visão de Stiglitz: acreditar que seu triunfo econômico significava uma vitória de seus valores e usar o breve período sem rivais - entre a queda do muro de Berlim em 1989 e a crise em 2008 - para empurrar uma agenda míope:

"Falar de comércio livre e justo enquanto insiste, por exemplo, em subsídios para seus ricos agricultores faz os EUA parecerem hipócritas", diz Stiglitz.

Ele acredita que agora não é hora de tentar conter a ascensão chinesa, e sim de permitir que o país participe mais dos organismos multilaterais e dos grandes debates. O jogo mundial não é de soma zero, e criar ressentimentos com a nova grande potência não seria nada produtivo.

Mais importante, no entanto, é que os Estados Unidos se reformem internamente para continuar irradiando não apenas poder militar mas também suaua capacidade de inspirar e servir de exemplo:

"Teremos de cooperar, querendo ou não - e deveríamos querer. Enquanto isso, a coisa mais importante que os Estados Unidos podem fazer para manter o valor de seu poder brando é enfrentar suass próprias deficiências sistêmicas - práticas políticas e econômicas corruptas, para dizer o mínimo, e direcionadas para os ricos e poderosos".

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