Santiago - A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) disse na terça-feira que está preocupada com o impacto dos eventos recentes no Brasil sobre a capacidade do país de continuar a luta contra a pobreza e sobre a sua estabilidade democrática, na medida em que provavelmente a pobreza na América Latina tenha subido em 2015.

O Brasil está vivendo a sua pior recessão em décadas e o governo da presidente Dilma Rousseff está enfrentando a ameaça de impeachment em meio a um grande escândalo de corrupção, o que dificulta a sua capacidade de implementar políticas para transformar a economia.

A ONU está profundamente preocupada com a recente turbulência política, disse a secretária-executiva da Cepal, divisão regional das Nações Unidas, Alicia Bárcena.

"Estamos alarmados de ver a estabilidade democrática do país ameaçada", disse.

A Cepal também está preocupada que o progresso que o Brasil fez no combate à pobreza possa ser revertido, disse Bárcena.

"Estamos preocupados. O Brasil tem sido um dos países mais bem sucedidos nesta questão (da luta contra a pobreza)", disse Bárcena. A diretora da Cepal Lais Abramo disse que os programas conduzidos pelo governo brasileiro foram cruciais para isso, e que é "muito importante" mantê-los para impedir um retrocesso.

"Não temos dados para 2015, mas nós sabemos que há uma crise econômica importante, com uma recessão e o desemprego aumentando, e é muito provável que terá um impacto negativo sobre os números da pobreza", disse ela em uma conferência de imprensa após a publicação de um relatório sobre a pobreza na região.

O número total de pessoas que vivem na pobreza na América Latina deve ter subido para 175 milhões, ou 29,2 por cento da população total da região, no ano passado, ante 28,2 por cento em 2014, disse a Cepal em relatório.

No entanto, há uma variação significativa na região. Entre 2013 e 2014 houve um aumento no número de pessoas pobres na Guatemala, México e Venezuela, mas queda no Brasil, Colômbia e Equador, mostra o relatório.

A pobreza caiu significativamente de mais de 40 por cento em toda a América Latina na primeira década deste século, com o crescimento chinês ajudando a impulsionar as commodities.

Mas desde 2012 o progresso se estancou em grande parte com o fim do boom das commodities.

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