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Plantação de soja em Mato Grosso: crescimento da área plantada será "tímido"
Goiânia - A elevada rentabilidade dos produtores rurais do Centro-Oeste com os altos preços das commodities agrícolas, num momento em que a abertura de novas áreas é praticamente inviabilizada pelo rigor ambiental, levará na próxima safra (2011/12) mais agricultores a transformarem pastagens, atualmente menos rentáveis, em lavouras de soja, especialmente em Mato Grosso.
Mas esse movimento também não será explosivo e ficará bem aquém do potencial pela cautela de um setor mais bem gerido que teme a repetição de crises passadas.
Considerando os preços, que mesmo diante de uma crise financeira global estão somente alguns dólares abaixo dos recordes na bolsa de Chicago, e pelo potencial do maior Estado produtor de soja do Brasil, que poderia mais do que dobrar a área da oleaginosa usando apenas terras de pecuária, o crescimento no plantio será "tímido."
Atingirá cerca de 300 mil hectares em Mato Grosso em 11/12, somando pouco mais de 6,6 milhões de hectares de soja, disseram representantes do setor reunidos na Bienal dos Negócios da Agricultura Brasil Central, aberta na noite de quinta-feira, em Goiânia (GO).
Analistas estimam que cerca de metade do aumento do plantio no país na próxima safra ocorrerá em terras mato-grossenses, e o restante principalmente em Tocantins, Bahia, Maranhão e Piauí.
"Temos de 8 a 9 milhões de hectares que são aptos a agricultura dentro dos 26 milhões de hectares de pastagens (em Mato Grosso). Como não tem mais abertura (de áreas de florestas), mesmo tendo o Cerrado que poderia ser incorporado para agricultura, o setor de soja este ano vai se desenvolver em cima de pastagens... Agora, é muito tímido ainda", disse à Reuters Glauber Silveira, presidente da Associação dos Produtores de Soja do Brasil e agricultor em Mato Grosso.
Estrutura ainda deficiente
No início da década passada, segundo dados do Ministério da Agricultura, o plantio de soja chegou a crescer quase 1 milhão de hectares em Mato Grosso, entre as temporadas 2002/03 e 2003/04, um ano antes de a maior crise agrícola da história afetar o setor, com reflexos até hoje no elevado endividamento, o qual a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famato) estima que seja ainda de aproximadamente 10 bilhões de reais.
Segundo Silveira, o maior crescimento da soja no Brasil, cuja semeadura em 11/12 começa em meados de setembro se as chuvas chegarem como esperado em Mato Grosso, ocorrerá nas regiões leste e noroeste do Estado.
"É claro que é muito aquém do potencial que a gente imagina, porque tem problema de estradas... as regiões de pastagem têm pouca infraestrutura, tem que fazer tudo, tem muito o que ser feito," acrescentou o presidente da Aprosoja, lembrando ainda que geralmente no primeiro ano uma lavoura produz menos do que o normal.
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