São Paulo - No próximo dia 23 de junho, os britânicos vão às urnas para decidir se ficam ou não na União Europeia.

As últimas pesquisas indicam que a chance de saída do Reino Unido do bloco (a "Brexit") é de 45%.

Isso faz dela o maior "cisne negro" da economia mundial, de acordo com o último relatório do Société Générale lançado há alguns dias.

O banco francês divulga trimestralmente sua tabela de "cisnes negros", conceito de Nassim Nicholas Taleb para agrupar eventos inesperados e de alto impacto.

Apesar de ser o risco mais provável, a Brexit seria menos danosa para o mundo do que um "pouso forçado" (desaceleração brusca do crescimento) da China (chance de 30%).

Outros cisnes negros importantes são a possibilidade de que o consumidor americano guarde mais dinheiro do que o esperado (25%) ou que o Federal Reserve demore demais para aumentar novamente os juros (10%).

Do final de 2015 para cá, o banco também dobrou de 10% para 20% a probabilidade de uma recessão global. Tirando isso, a lista não teve grandes modificações.

Três "riscos positivos" são citados: força maior no investimento e comércio (20% de chance), mais acomodação fiscal (15% de chance) e reformas rápidas (10%).

Divulgação/Société Générale

Cisnes negros do Société Générale

Brexit

Um relatório recente do banco inglês Barclays nota que um dos pontos cruciais de motivação do referendo da Brexit é o tema "imigração" e que seu resultado terá implicações significativas para além do país:

"Acreditamos que as implicações para a UE (União Europeia) e a União Monetária Europeia são pelo menos tão importantes do que para o Reino Unido. Em nossa visão, isso coloca o referendo entre um dos maiores eventos de risco global do ano", diz a nota assinada por Marvin Barth.

Uma possível saída do país poderia despertar novamente o temor de dissolução do bloco que tanto assustou os mercados no pico da última crise do euro:

"O precedente de um estado membro saindo da União abriria a caixa de Pandora: poderia ser usado como argumento político por partidos extremos e populistas, tanto da direita quanto da esquerda, para pressionar por uma saída da UE, incluindo em alguns países do euro", diz o texto.

Isso sem falar nos efeitos negativos para a própria economia britânica, que variam de acordo com vários cenários, segundo estudo do instituto Open Europe.

Em nota assinada pelos analistas Sonali Punhani e Neville Hill, o Credit Suisse estima que haveria uma queda de 2% do PIB da qual a economia nunca se recuperaria.

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