Vinte e quatro milhões de brasileiros não são alfabetizados. Eles equivalem a 16% do total da população do país. Os dados são do Censo 2000 sobre educação, feito pelo Instituto de Pesquisa e Geografia Estatística (IBGE). Mais da metade (51,5%) das pessoas não-alfabetizadas se declararam pardas. Trinta e sete por cento são brancas. Entre o total de alfabetizados (84% da população acima de cinco anos de idade, ou 129,3 milhões de pessoas), a maioria é branca: 56,8%. As pardas são o segundo maior grupo, com 35,9%, seguidas pelas pretas, com 5,8%.

No grupo de 4 a 7 anos de idade, formado por um total de 13,3 milhões de crianças, cerca de 31% (4,1 milhões) estão fora da escola no país. Nas capitais, a situação não é melhor: de um total de 2,8 milhões de crianças de 4 a 7 anos, quase 690 mil não estudam (24,4%).

A publicação do IBGE mostra ainda que entre a população com 25 anos ou mais um grupo de 85,4 milhões de pessoas -, apenas 6,8% concluíram um curso superior. Em dez anos (entre 1991 e 2000) o número de pessoas graduadas ou pós-graduadas cresceu 17,8%.

No cruzamento dos dados de escolaridade concluída com os de cor ou raça, os amarelos aparecem como o grupo que mais concluiu um curso superior (26,9%), enquanto pardos (2,4%), indígenas (2,2%) e pretos (2,1%) apresentam taxas cinco vezes menores que a dos brancos (9,9%).

Há mais mulheres graduadas do que homens nas áreas de Educação (598 mil contra 61 mil); Artes, Humanidades e Letras (510 mil contra 149 mil); Ciências, Matemática e Computação (306 mil contra 240 mil) e Saúde e Bem-estar social (537 mil contra 352 mil). Já os homens se destacam quantitativamente em Ciências Sociais, Administração e Direito (1,2 milhão contra 1 milhão); Engenharia, Produção e Construção (461 mil contra 105 mil); Agricultura e Veterinária (101 mil contra 24 mil) e Serviços (31 mil contra 23 mil).

Em relação às pessoas que concluíram cursos de pós-graduação, as mulheres destacam-se em apenas duas áreas: Educação (16 mil) e Artes, Humanidades e Letras (18 mil). Nas demais áreas, os homens são maioria.

Expectativa de vida

A expectativa de vida do brasileiro chegou à casa dos 70 anos pela primeira vez na história. A estimativa do IBGE para o ano de 2002 é de 71 anos. A esperança de vida do brasileiro aumentou 8,5 anos desde 1980, quando era de 62,5 anos.

Pelo novo dado, as mulheres vivem 7,6 anos a mais que os homens. De acordo com o IBGE, um dos principais motivos da diferença é a maior freqüência de mortes por violência e acidentes entre os homens na faixa dos 15 aos 35 anos. A violência é um fator que vem se agravando ao longo dos anos. No subgrupo dos 20 aos 25 anos, por exemplo, a probabilidade de morte dos homens é 4 vezes maior que a das mulheres. Em 1980, era apenas 2,1 vezes maior.