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São Paulo - Um relatório publicado pelo banco japonês Nomura no começo do mês indicou que, em 2022 o México poderá ultrapassar o Brasil como economia número 1 da América Latina. Mais do que copiar a final do futebol das Olimpíadas, se tal fato se concretizar, será a vitória de um país com políticas econômicas liberais e produção de manufaturados sobre um exportador de commodities com governo mais chegado à economia – no caso, o Brasil – segundo o Nomura.
A economia mexicana era 37% superior à brasileira em 2002, segundo o relatório. No ano seguinte, com o impulso da China e das commodities a situação começou a mudar. Enquanto o México enfrentava tempos difíceis, o Brasil surfava no mar de crédito disponível e da nova classe (a classe C) bastante disposta ao consumo.
Mas, no ano passado, enquanto o Brasil cresceu 2,7%, a economia mexicana subiu 3,9%. A previsão do Nomura para 2012 é de um crescimento de 1,9% para o Brasil e de 3,7% para o México - o presidente Felipe Calderón espera que o crescimento econômico fique perto dos 4% (um crescimento que um dia o Brasil já quis para 2012).
Para Irenea Renuncio-Mateos, analista sênior para América Latina da consultoria de risco Maplecroft, o nível de crescimento do México entre 3% e 4% vai continuar por cerca de três anos - a menos que ocorra algum evento inesperado no euro ou na demanda chinesa. Já o Brasil, é difícil prever, segundo a analista: “Ele depende muito da China, é mais vulnerável a qualquer desaceleração na economia chinesa”, afirmou.
Se a China é a grande parceira do Brasil, o México conta com os Estados Unidos – e, vez ou outra, também com a China. Nesse momento, ela também tem ajudado o México, segundo Tony Volpon, chefe de pesquisa para mercados emergentes do Nomura e um dos autores do relatório. Volpon destacou que a demanda Chinesa por commodities está caindo e sua mão de obra está mais cara, devolvendo ao México alguns dos mercados que ele perdeu. “Outra coisa é um renascimento do setor de manufaturados nos EUA. E se a indústria americana vai bem, a do México também vai”, afirmou.
Na última semana, o México divulgou o crescimento de seu PIB no segundo trimestre em relação ao primeiro: 0,87%. Esse aumento coroa dez trimestres consecutivos de crescimento em bases anualizadas, após a profunda recessão de 2009. Enquanto isso, Brasil, Argentina e economias na Europa seguem outro ritmo. O PIB trimestral brasileiro será divulgado apenas no final do mês, mas o HSBC e o Itaú-Unibanco acreditam que a economia cresceu 0,5% no segundo trimestre em relação ao anterior.
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