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Mario Draghi, presidente do BCE
Frankfurt - O Banco Central Europeu (BCE) vai se preparar para comprar títulos italianos e espanhóis no mercado aberto, mas só agirá depois que os governos da zona do euro ativarem os fundos de resgate para fazer o mesmo, afirmou nesta quinta-feira o presidente da autoridade monetária, Mario Draghi.
Draghi indicou que qualquer intervenção do BCE não começará até setembro e dependerá de os países problemáticos nos mercados de títulos realizarem um pedido e aceitarem condições e supervisão severas.
Ele também indicou que o presidente do banco central alemão, Jens Weidmann, demonstrou reserva sobre a compra de títulos e que mais esforços serão necessários para convencer o Bundesbank a agir antes de uma votação final.
Em entrevista à imprensa após a reunião mensal do BCE, Draghi disse que o banco vai avaliar outras medidas "não-convencionais" para controlar a crise da zona do euro.
"O Conselho de Administração, dentro de sua responsabilidade de manter a estabilidade de preços no médio prazo e em observação de sua independência de determinar a política monetária, pode fazer operações diretas no mercado aberto de tamanho adequado para atingir seu objetivo", afirmou Draghi depois de o BCE ter mantido a taxa de juros da zona do euro em 0,75 por cento.
O banco já gastou 210 bilhões de euros comprando títulos sob seu agora dormente Programa de Mercado de Títulos (SMP, na sigla em inglês) desde maio de 2010, o que limitou o impacto, mas Draghi afirmou que o novo esforço será diferente em escopo e condicionalidade.
Qualquer ação do BCE depende de os governos da zona do euro usarem os fundos de resgate Fundo Europeu de Estabilização Financeira (EFSF, na sigla em ingl6es) e Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (ESM, na sigla em inglês) primeiro, disse ele.
"Os governos têm que estar prontos para ativar o EFSF/ESM no mercado de títulos quando existirem circunstâncias excepcionais do mercado financeiro e riscos à estabilidade financeira." Os mercados financeiros pareceram pouco impressionados com os anúncios, com alguns investidores tendo interpretado as declarações de Draghi na semana passada como um sinal de ação iminente, e não futura e condicional.
"É bastante decepcionante...Existe uma falta de ação, então ele basicamente passou a responsabilidade aos políticos", disse o estrategista do Knight Capital Ioan Smith.
Draghi estava sob intensa pressão de investidores, líderes europeus e mesmo dos Estados Unidos para confirmar nesta quinta-feira sua promessa de fazer o que for necessário para salvar o euro, reduzindo os custos de empréstimos e resolvendo a crise da dívida.
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