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Para o Banco Central, o agravamento da crise pode ainda levar à significativa redução da oferta de crédito externo às empresas brasileiras
Brasília - Diante do cenário externo mais conturbado, que terá reflexos na atividade econômica do país, o Banco Central reduziu nesta sexta-feira a projeção de déficit em transações correntes do país para 2012, de 68 bilhões de dólares para 56 bilhões de dólares.
Mesmo assim, a autoridade monetária manteve suas contas sobre Investimento Estrangeiro Direto (IED) em 50 bilhões de dólares para o período, apostando que o Brasil não deixará de atrair recursos voltados para o setor produtivo.
"O déficit (em conta corrente) reflete moderação da demanda por bens e serviços no exterior e repercute o cenário de deterioração internacional", disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel.
O menor déficit em transações correntes -que são operações feitas pelo Brasil com o exterior, como comércio e viagens internacionais- esperado para este ano veio quase totalmente da redução das estimativas sobre remessas de lucros e dividendos, que passaram de 38 bilhões para 28 bilhões de dólares.
Essa é uma das principais variáveis com impacto na conta corrente do país e mostram os envios de recursos de multinacionais instaladas no país para suas matrizes.
Para o BC, o agravamento da crise pode ainda levar à significativa redução da oferta de crédito externo às empresas brasileiras. Não por menos, passou a trabalhar com uma hipótese ainda mais conservadora para o financiamento das dívidas, baixando a indicação da taxa de rolagem de 125 por cento para 100 por cento neste ano.
"2011 foi ano de ampla liquidez, com taxas de rolagem de 400 por cento. O segundo semestre teve outra cara, as medidas de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) influenciaram esses fluxos", comentou Maciel, acrescentando que em maio esse percentual baixou para 79 por cento.
Ele referiu-se ao aumento da alíquota do imposto sobre prazos mais longos de empréstimos feitos por empresas no exterior, definido pelo governo na época em que o dólar mostrava fraqueza frente ao real.
Investimento produtivo
Maciel explicou que a decisão de manter a expectativa para o IED em 50 bilhões de dólares neste ano reflete uma postura conservadora. Ele observou que o Brasil tem fundamentos macroeconômicos sólidos, com capacidade de atrair o interesse dos estrangeiros, e que essa estimativa pode ser elevada nos próximos meses.
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