Brasília - O Banco Central (BC) ressaltou no Relatório de Inflação, divulgado hoje (27), que leva em consideração os efeitos defasados, tanto na economia quanto nos preços, dos cortes na taxa básica de juros na hora de definir o futuro da Selic. Segundo o relatório, essa atitude é importante para “evitar flutuações indevidas na atividade econômica”.

O Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou processo de redução da taxa básica de juros, a Selic, em agosto do ano passado. Atualmente a taxa básica está em 7,5%, o menor patamar da taxa. Mas instituições do mercado financeiro consultadas pelo BC não esperam por mais corte na Selic este ano.

Para o BC, os efeitos de redução da Selic na atividade e na inflação são defasados e cumulativos. “Dito de outra forma, as ações de política monetária levam certo tempo para afetar atividade (e inflação), e os impactos de uma sequência de ações vão se sobrepondo no tempo”, diz.

Segundo o relatório, “algum impacto imediato” pode ocorrer por meio das expectativas das pessoas, entretanto, de modo geral, “o efeito máximo” se manifesta alguns trimestres após a implementação da ação. “Essas defasagens são levadas em consideração na condução da política monetária, em parte, para se evitar flutuações indevidas na atividade econômica.”

As reduções da Selic ocorreram em momento em que a economia operava em ritmo mais lento. A expectativa do BC é de maior crescimento neste semestre e em 2013. O governo também adotou, neste ano, uma série de medidas para estimular consumo e investimento, e assim, tentar reaquecer a economia.

Para 2012, no entanto, o BC revisou a estimativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, de 2,5% para 1,6%. Nos quatro trimestres encerrados em junho de 2013, o BC espera que a economia cresça 3,3%.

A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), este ano, ficou em 5,2% - índice acima do centro da meta (4,5%), que tem margem de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Para 2013, a expectativa é que a inflação oficial recue para 4,9%.

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