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Jogo do Campeonato Brasileiro de futebol: especialistas consideram que esporte é uma caixa-preta
Brasília - Paixão nacional que movimenta milhões de dólares, o futebol brasileiro é uma caixa-preta administrada de forma pouco transparente e sem a devida fiscalização do Estado. A avaliação é dos participantes de um seminário realizado pelo Ministério da Justiça para discutir a lavagem de dinheiro na modalidade esportiva. Para eles, é necessário aprimorar a legislação, tornando mais rigorosa a fiscalização sobre os clubes a fim de impedir que organizações criminosas usem o futebol para regularizar dinheiro ilícito. Principalmente com a aproximação de grandes torneios mundiais, como a Copa do Mundo, que injetará ainda mais recursos – inclusive públicos – no setor.
“Não dá para afirmar que existam irregularidades, mas há tempos se fala sobre a lavagem de dinheiro no futebol e há, sim, transações nem sempre bem explicadas que precisam ser verificadas”, disse à Agência Brasil o diretor do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), do Ministério da Justiça, Ricardo Andrade Saadi, citando como exemplo a negociação de atletas por cifras altíssimas tratadas de forma sigilosa e alguns casos de grandes investimentos em clubes, alguns deles pequenos e sem expressão. "Temos que discutir e esclarecer se há ou não algum crime e punir os eventuais responsáveis. E se for constatado que não há crimes, pelo menos a questão foi esclarecida. O que não pode é esta sensação de que o futebol é uma caixa-preta”, completou Saadi.
No início dos anos 2000, duas comissões parlamentares de inquérito (CPIs) – a da Nike e a do Futebol – foram instauradas para apurar suspeitas envolvendo o contrato de patrocínio que a multinacional mantém com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), as relações dos clubes com patrocinadores, a contratação de jogadores, a arrecadação de impostos, a receita com jogos, entre outros temas. Além disso, denúncias envolvendo dirigentes, técnicos, jogadores e investidores jurídicos veem sendo publicadas há anos sem que ninguém seja punido.
“Existem casos que já são de conhecimento público. Mas é bom que fique claro que não estamos mirando apenas no futebol. O que ocorre é que os criminosos têm que lavar o dinheiro ilícito de alguma forma e todo ambiente em que circula muito dinheiro é propício para isso”, disse o coordenador-geral do DRCI, Roberto Bisol, explicando as razões de o ministério realizar o seminário, que ocorre até amanhã (8), em Brasília (DF).
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