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Manifestação em Brasília contra a corrupção: dificuldades de combater o problema
Brasília - A queda em série de ministros por supostas irregularidades é apenas a ponta do iceberg da corrupção que corrói o Brasil de forma endêmica, atravessa a política e representa um de seus maiores desafios para se consolidar como potência econômica mundial, segundo especialistas.
"Somos um país rico, mas com costumes de países pobres", declarou à AFP Gil Castello Branco, presidente da Contas Abertas, uma ONG especializada na luta contra a corrupção.
Das estatísticas ao cinema, passando pelas denúncias diárias da imprensa, a corrupção é retratada no Brasil como um monstro de sete cabeças, sendo apenas a mais visível a relacionada com a política (o suborno, o pagamento de favores e o tráfico de influência), mas não menos grave que a ineficiência estatal e a corrupção policial.
Incorporada à história brasileira, a corrupção é uma das maiores preocupações das classes alta e média em tempos de bonança, e potencial ameaça para os milionários investimentos realizados pelo Brasil para acolher o Mundial de Futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, segundo analistas.
"Acredito que, na mesma proporção em que aumenta a quantidade de grandes obras, o risco de corrupção também sobe. O corrupto vai onde o capital está", disse Castello Branco.
A sexta economia mundial é a pior classificada depois da China entre os países mais ricos em relação à corrupção, segundo o índice de Transparência Internacional.
Desde a criação, em 1995, deste indicador, que reflete a percepção de empresários e especialistas diante da corrupção no setor público, o Brasil tem uma classificação média de 3,7 em uma escala de um a 10, sendo 1 o mais corrupto.
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