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Alta | 02/06/2012 18:05

Dólar pode levar país a exportar componentes eletrônicos

Se a moeda americana continuar nesse patamar, entre R$ 2 e R$ 2,20, a médio prazo as empresas brasileiras poderão começar a fabricar tais componentes

Pedro Peduzzi, da

Karen Bleier/AFP

Dólares

Essa avaliação é do presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica, Humberto Barbato

Brasília - A alta do dólar poderá levar o setor de eletroeletrônicos a buscar componentes nacionais para substituírem os importados usados na montagem de equipamentos. Na avaliação do presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, em um primeiro momento serão beneficiadas as empresas que já fabricam esses componentes. Mas ele acrescenta que, se o dólar continuar nesse patamar, entre R$ 2 e R$ 2,20, a médio prazo as empresas brasileiras poderão não só começar a fabricar tais componentes como, a partir de uma melhor competitividade, poderão passar a exportá-los também.

Em 2011, o setor eletroeletrônico faturou R$ 138,1 bilhões no Brasil. “É um faturamento satisfatório, mas como é global não está restrito à produção. Prova disso é que o IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia Estatística] constatou uma queda de 2% na atividade industrial do nosso setor. Portanto, esse faturamento não é de todo bom porque 20% dele foi obtido a partir de importações”, disse. “O que retrata a situação da nossa indústria, atualmente, não é o lucro, mas o ritmo de atividade industrial, que ainda não é tão bom”, completou.

Barbato explica que existe, no setor eletrônico, uma dependência muito grande de componentes importados. “Infelizmente, a indústria de componentes para televisores, computadores e celulares não está instalada no Brasil. Mas, a médio prazo, o câmbio poderá ajudar a desenvolvermos esses componentes também aqui. Só que, para ampliar os investimentos, o nosso setor carece, ainda, de uma política industrial que deixe clara a decisão do país em se desenvolver do ponto de vista industrial”, ressaltou.

“Os grandes fabricantes mundiais querem comprar componente de qualidade e por um bom preço. Se eles identificarem isso no Brasil, certamente comprarão aqui. Essas empresas não têm esse olhar estratégico de manter a compra no país onde a matriz está instalada. São empresas que, na prática, não têm pátria. O Brasil tem de criar situações que favoreçam o interesse delas em comprarem, aqui, também componentes destinados à montagem de produtos no exterior”, explicou o presidente da Abinee.

Entre as áreas que, dentro do guarda-chuva da Abinee, serão as mais beneficiadas, Barbato aponta as de equipamentos industriais, como motores, geradores e produtos destinados a geração, transmissão e distribuição de energia; produtos de utilidade doméstica; e materiais elétricos de instalação, como tomadas e disjuntores.

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