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Alerta | 02/06/2012 16:07

Alemanha tem três meses para sanar crise do euro, diz Soros

Falando numa conferência econômica em Trento, na Itália, Soros disse que a crise do euro ameaça destruir a União Europeia e empurrar a região para uma década perdida

Valentina Za, da

Arnd Wiegmann/Reuters

George Soros

O bilionário norte-americano George Soros fala durante uma coletiva de imprensa em Davos

A Alemanha e seu banco central não devem liderar o caminho em direção ao fim da crise de dívida da zona do euro em três meses - americano George Soros neste sábado.

Falando numa conferência econômica em Trento, na Itália, Soros disse que a crise do euro -que ele definiu como uma crise de dívida soberana e uma crise bancária fortemente interligadas- ameaça destruir a União Europeia e empurrar a região para uma década perdida, como ocorreu com a América Latina nos anos 1980.

"Um destino semelhante agora ronda o futuro da Europa. Essa é a resposabilidade que a Alemanha e outros países credores precisam reconhecer. Mas não há sinal de que isso está acontecendo", disse.

Soros disse que espera que as eleições gregas em junho produzam um governo que deseja manter os atuais acordos de resgate, mas acredita que é impossível fazê-lo.

"A crise grega deve chegar a um clímax no outono. Até lá a economia alemã estará enfraquecida também, de maneira que a chanceler (Angela) Merkel terá ainda mais dificuldade do que hoje ao tentar persuadir o público alemão a aceitar novas responsabilidades europeias. É isso que cria uma janela de três meses", disse.

O financista norte-americano nascido na Hungria disse que toda a "culpa e a carga" de ajustar os desequilíbrios da zona do euro está recaindo sobre os países periféricos, mais fracos, mas que o centro do bloco econômico tem ainda mais resposabilidade pela crise.

"O 'centro' é responsável por estabelecer um sistema falho, assinar tratados falhos, criar políticas falhas e sempre fazer muito pouco, tarde demais", disse.

Soros sugeriu a criação de um esquema de seguro de depósitos e pelo acesso direto ao fundo de resgate da zona do euro por bancos, além da unificação da supervisão e da regulação financeira.

Ele também pediu medidas para reduzir os custos de empréstimos de vários países endividados, alertando que se isso não acontecer, o apoio a reformas na Itália minguará, fazendo com que o governo tenha dificuldade em realizá-las.

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