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Modelo chinês de crescimento prioriza o investimento
São Paulo - O anúncio da primeira parte do pacote de investimentos em infraestrutura feito pela presidente Dilma Rousseff nesta quarta-feira ganhou elogios do jornal britânico Financial Times, que não se furtou, contudo, a comparar o país com outra grande estrela do mercado emergente, a economia chinesa. Para o FT, a iniciativa do Palácio do Planalto é apenas uma fração do tamanho do investimento realizado por Pequim, mas, como as necessidades de infraestrutura no Brasil são mais óbvias, essa guinada na política governamental é positiva. “O Brasil está fazendo uma cópia suave da China”, diz no artigo "Um estímulo para o Brasil", publicado nesta quinta-feira.
Segundo o jornal, o esforço de Dilma está longe de emular o exemplo chinês, que chega a construir verdadeiras cidades fantasmas quando o governo julga necessário. O programa de estímulo econômico de Pequim para a crise de 2008, por exemplo, atingiu 630 bilhões de dólares – cinco vezes maior que o mais recente anúncio do Planalto. Tampouco, diz a reportagem, haverá explosão de endividamento público no Brasil para suportar este pacote. Por fim, o FT comemora a iniciativa por representar uma "mudança necessária no mix de política econômica do país", que tinha priorizado o consumo ao investimento.
A reportagem lembra que, nos últimos dez anos, a economia brasileira “surfou” na expressiva valorização das commodities agrícolas e minerais. “Agora, os tempos fáceis acabaram”, diz o artigo. Com a queda da produtividade doméstica e a concorrência externa, as empresas cortaram investimentos. O que tem amortecido a desaceleração da economia interna é o consumo. Mas só isso não é suficiente, argumenta o jornal.
Por isso, o FT acredita que o Brasil parece ter percebido, felizmente, que era necessário mudar o rumo, voltando-se ao impulso do investimento para resolver os gargalos de transporte. Foi uma resposta clara à necessidade de sanar os entraves aos desenvolvimento do país, aponta a reportagem.
Dúvidas – A grande questão, porém, é se a presidente Dilma Rousseff conseguirá implementar o plano. A maior preocupação é com a execução, diz o FT. “A burocracia estatal bizantina pode deixar os projetos morrerem na praia”. A reportagem cita os problemas com corrupção, mas ressalva que a presidente tem sido firme no combate a essa prática.
Em tom de ironia, o artigo lembra que foi em março que o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, disse que o Brasil precisava de "um pontapé no traseiro" para estar pronto para a Copa do Mundo de 2014. "Pelo menos as novas estradas devem estar prontas para as Olimpíadas em 2016”, brinca o FT.
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