Rio - A paralisação da produção de minério de ferro da Samarco após o rompimento de duas barragens de rejeitos da empresa na cidade mineira de Mariana derrubou a indústria em Minas Gerais e também no Espírito Santo.

Em novembro, a atividade capixaba recuou 11,1% ante outubro, o maior tombo desde dezembro de 2008 (-12,3%), segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Isso tem a ver com o rompimento da barragem, a produção de minério em pelotas foi afetada", disse Rodrigo Lobo, técnico da Coordenação de Indústria do IBGE.

O resultado sucede uma queda de 6,4% em outubro ante setembro na produção capixaba, que até metade de 2015 vinha operando em patamares próximos ao pico histórico.

"Agora temos de esperar os próximos passos para ver como se resolve a indústria local. O fato é que, como 80% da produção é concentrada no setor extrativo, é um Estado mais vulnerável em termos do que vai acontecer com o minério", ressaltou Lobo.

A produção em Minas Gerais também foi afetada pelo desastre ocorrido em Mariana. A atividade mineira recuou 4,0% em novembro ante outubro, a queda mais intensa desde dezembro de 2013 (-5,0%), e o produto mais impactado foi o minério bruto.

Outro evento que influenciou o resultado da indústria em novembro foi a greve dos funcionários da Petrobras. Os petroleiros pararam por cerca de 20 dias, o que afetou as atividades de mais de 50 unidades da companhia no auge da paralisação.

A atividade de derivados do petróleo e biocombustíveis foi prejudicada nas regiões Nordeste, no Ceará, São Paulo, Amazonas, Paraná e Rio Grande do Sul.

O Rio de Janeiro, embora concentre boa parte dos campos em produção pela Petrobras, teve alta de 1,2% na indústria em novembro ante outubro, graças ao avanço nas atividades de derivados de petróleo, veículos e alimentos (principalmente sorvetes).

"O Rio não foi afetado diretamente por greve dos petroleiros", disse Lobo.

Em São Paulo, o maior parque industrial do País, a atividade recuou 2,6% em novembro ante outubro, diante da queda na produção de açúcar, álcool e veículos.

"Na maior parte das vezes, o setor de veículos é o que mais impacta negativamente. O encadeamento leva a reboque outras atividades", afirmou o técnico do IBGE. O setor de veículos pesa 15,3% na indústria paulista.

2015

A situação da indústria é delicada em diversas regiões, segundo o IBGE.

No acumulado de janeiro a novembro de 2015, apenas três regiões ainda se sustentam no positivo: Pará e Espírito Santo, graças ao desempenho da indústria extrativa no primeiro semestre, e Mato Grosso, devido à indústria de alimentos.

Já outros cinco Estados registram seus piores resultados na série histórica (iniciada em 2003) para esta comparação: Amazonas (-15,8%), São Paulo (-10,9%), Santa Catarina (-7,5%), Rio Grande do Sul (-11,8%) e Goiás (-2,5%).

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