São Paulo - A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira, 25, a uma plateia de investidores em Nova York que o Brasil consolidou um mercado de classe média de mais de 100 milhões de consumidores, com ascensão de mais de 40 milhões de brasileiros da base da pirâmide social.

"Promovemos uma bem sucedida política de inclusão social, que está centrada na criação e na formalização do emprego, o que conseguimos de uma forma muito clara quando vemos que criamos 20 milhões nos últimos 10 anos", comentou a presidente.

Ela falou ainda sobre a valorização dos salários e dos programas do governo federal de transferência de renda.

"São esses brasileiros que querem mais", disse Dilma, afirmando que a população quer melhores serviços. "Querem padrões de transporte público de qualidade, não querem ficar uma parte longa de sua vida no transporte público que ainda é de baixa qualidade", exemplificou. "Esse é um movimento que transforma o Brasil, faz parte de um Brasil pujante. Um Brasil que quer agora ser de classe média", completou a presidente.

Dilma lembrou das manifestações de junho e avaliou que os protestos "não pediram volta ao passado, mas pediram um avanço nos serviços, mais qualidade de vida e mais democracia", disse. "Entender isso é entender que o governo escutou as vozes", completou.

A presidente afirmou que o problema do Brasil é que o consumo é reprimido. "Nos últimos 10 anos nós que assistimos à construção desse mercado interno no Brasil temos consciência de como ele é pujante e a capacidade demanda reprimida criou um potencial de consumo imenso", comentou a presidente.

O processo de desenvolvimento, disse a presidente, "sempre traz desafios" e que não é um "caminho linear". Os desafios, segundo Dilma, precisam ser superados com ação combinada do setor privado e do governo. "Um país continental que tem um dos maiores produtores de alimentos e minério não tem uma malha ferroviária. O Brasil tem demanda reprimida. Isso é um dado fundamental dele. Esses desafios são ainda maiores quando a gente soma a existência da crise mundial", contou.

Crise

Dilma afirmou que o governo está construindo uma malha ferroviária que foi feita há séculos em outros países. A perda do Brasil, por conta da crise mundial, foi por conta da diminuição no comércio internacional, segundo Dilma.

"Nosso efeito à crise foi um pouco defasado, mas ele foi inexorável. Ontem (discurso na ONU) eu disse que estamos todos no mesmo barco. Acho que o fato de nós termos essa crise mundial e termos esses problemas que eu disse fez com que tivéssemos de atender esses desafios num curto espaço de tempo", afirmou a presidente.

Ela disse considerar que o país atravessou "até muito bem essa situação mais aguda da crise, que começa em 2011, 2012 e tudo indica melhora agora em 2013". "Não esperamos uma grande melhora, mas uma melhora gradual e lenta".

Dilma mencionou que só em 2007 o país iniciou um "grande programa de infraestrutura" e citou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o Minha Casa, Minha Vida. "É importante que os senhores percebam o grande desafio que é um país que formava mais advogados do que engenheiros e que hoje pela primeira vez está formando mais engenheiros do que advogados", afirmou. Ela mencionou que ouviu já uma fala de um amigo que "advogado é custo e engenheiro é produtividade".

Dilma admitiu que o Brasil tem muitos gargalos, e que não são só na infraestrutura. A presidente avaliou que o processos para melhor exigiram novos marcos regulatórios e modificações na atividade pública brasileira, "como as mudanças da burocracia, que é muito empedernida no país".

Segundo ela, esse processo vai exigir "uma modificação acentuada" da forma como o Estado age nas relações privadas, como a com os contribuintes. Dilma citou ainda que o crescimento todo PIB brasileiro na última década situou o país entre as sete maiores economias do mundo e que foi construída no país uma base econômica estável, com condição para outros ganhos.

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