São Paulo - Para onde vai a economia global nos próximos anos?

A resposta para essa pergunta vai definir o destino (e o retorno das carteiras de investimento) de muita gente.

No início da semana, a consultoria Eurasia Group divulgou o que considera serem os maiores riscos para o ano de 2016. Entre eles estão o fechamento da Europa, a crise brasileira e a desaceleração chinesa.

A Bain & Company, uma das maiores consultorias de negócios do mundo, também divulgou recentemente o que vê como as 6 tendências econômicas de crescimento até 2020

Veja quais são elas.

1. Descentralização da concentração de riquezas

* Contribuição estimada ao PIB global em 2020: US$ 10 trilhões

A estimativa da consultoria é que em 2020, 58% do PIB global venha de países desenvolvidos, uma queda de quase 10 pontos percentuais em relação aos cerca de 66% atuais.

"A riqueza crescente das economias dos países emergentes trará mais variedade de produtos de consumo a um grande número de novos consumidores", diz a consultoria.

O mapa econômico global está mudando. De acordo com o Boston Consulting Group, a Ásia-Pacífico (excluindo Japão) já ultrapassou a Europa e deve superar a América do Norte como região mais rica do mundo até 2019.

2. Infraestrutura antiga, novos investimentos

* Contribuição estimada ao PIB global em 2020: US$ 1 trilhão

Nos países desenvolvidos, a infraestrutura essencial existe mas é antiga e precisará ser atualizada para as necessidades do século XXI. Como as contas públicas estão sob pressão, isso abre oportunidades para parcerias público-privadas.

A questão é ainda mais importante para os países emergentes, onde "será necessário que a infraestrutura se desenvolva continuamente para acomodar o crescimento e definir as fundações da expansão futura", diz a consultoria.

3. Intensificação da disputa por recursos finitos

* Contribuição estimada ao PIB global em 2020: US$ 4 trilhões

A consultoria prevê que o crescimento populacional, a industrialização, a urbanização e o enriquecimento causarão uma luta por produtos básicos, em particular alimentos, água, energia e commodities.

Surgem duas consequências deste cenário. A primeira é a "militarização após industrialização": na medida em que a China cresce e coloca de fora suas garras geopolíticas, por exemplo, estimulou seus vizinhos e aprendizes a fazerem o mesmo. 

Isso significa oportunidades para quem vende armamento. Entre 2010 e 2014, as importações de armas pesadas cresceram 45% na África e 37% na Ásia e Oceania em relação ao período anterior, e os maiores exportadores foram Estados Unidos e Rússia.

A segunda consequência é o aumento crescente da produção destes produtos primários em resposta ao aumento da demanda por petróleo, gás natural, grãos, proteína, água potável e minérios como cobre e alumínio. Espere escassez e volatilidade de preços.

4. Populações mais inteligentes e mais saudáveis

* Contribuição estimada ao PIB global em 2020: US$ 6 trilhões

Uma das chaves para crescer no longo prazo é o capital humano, e esta será uma nova fronteira de investimentos. Duas tendências surgem disso: a primeira é a busca pela melhora do acesso e qualidade de educação. 

A segunda é a construção de um sistema de saúde básico e de uma rede de segurança social mais forte nos emergentes, ao mesmo tempo em que os desenvolvidos lidam com as consequências do envelhecimento rápido da sua população.

5. Uma nova onda de inovação tecnológica 

* Contribuição estimada ao PIB global em 2020: US$ 5 trilhões

A forma como vivemos e consumimos já está sendo alterada profundamente pela tecnologia, e este processo só deve se intensificar.

Na educação, cursos online permitem que um professor ensine milhões de alunos de uma vez. Na manufatura, impressoras 3D criam uma geração de "prosumidores" - produtores e consumidores ao mesmo tempo. Isso em falar no tamanho alcançado em pouco tempo por empresas como Uber e WhatsApp.

"As empresas investirão mais em inovações sutis (“mudanças de hábito”), ou seja, oferecerão produtos e serviços premium para consumidores mais ricos como substitutos para compras comuns, itens melhores e que demandam maior preço e uma grande variedade de produtos de nicho de mercado", diz a consultoria.

6. A preparação para a próxima grande novidade

* Contribuição estimada ao PIB global em 2020: US$ 1 trilhão

A Bain identifica 5 áreas de inovação que devem florescer na próxima década: nanotecnologia, biotecnologia/genômica, inteligência artificial, robótica e conectividade onipresente. E elas devem se ajudar mutuamente.

"Os avanços em nanotecnologia, por exemplo, contribuirão para melhorar o potencial computacional necessário para novas descobertas em inteligência artificial. À medida que as tecnologias deixam de ser conceitos de pesquisa e protótipos e passam a ser utilizadas em produtos de consumo acessíveis e em novos processos de fabricação, elas melhorarão a eficiência de maneira decisiva", diz a consultoria.

Uma das grandes controvérsias atuais é sobre os efeitos que a tecnologia terá sobre a economia - do crescimento ao nível de empregos. Alguns apostam que as inovações vão decepcionar enquanto outros esperam até a superação do capitalismo como o conhecemos hoje.

Tópicos: Bain & Company, Empresas, Desenvolvimento econômico, Crescimento, Infraestrutura, Inovação, Tendências