Ampla, profunda e prolongada

São Paulo - Os números da economia brasileira divulgados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) pintam um cenário sombrio.

Depois de ficar praticamente estagnado em 2014, o PIB (Produto Interno Bruto) recuou 3,8% em 2015, o pior resultado desde 1990.

"Nossa recessão começa a adquirir características de depressão econômica, marcada por 2 anos ou mais de contração, ou por queda de 10% ou mais do PIB per capita. Não é uma contração típica: ela é ampla, profunda e prolongada", diz Alberto Ramos, diretor de pesquisa para a América Latina do Goldman Sachs.

2016 pode ser ainda pior mesmo com alguma melhora significativa no cenário político, uma das principais raízes da crise.

O carregamento estatístico faz com que a recessão de 2016 já esteja contratada mesmo que a economia pare de cair.

A última vez que o Brasil teve dois anos seguidos de recessão foi em 1930 e 1931, resultado do crash de 1929 e suas repercussões globais.

"Não vemos muita luz no fim do túnel no curto e médio prazo. A incerteza está muito grande e os níveis de confiança estão muito baixos, tanto dos consumidores quanto dos empresários", diz Marcel Balassiano, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas.

O último Boletim Focus prevê queda de 3,45% em 2016 e "recuperação" de 0,5% em 2017.

A MB Associados espera algo no intervalo entre -3,8% e -4,9% este ano e o IBRE estima nova queda de 0,7% em 2017. Veja a seguir 5 gráficos que resumem os resultados do PIB divulgados hoje pelo IBGE:

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