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Moedas de Real: “a conta chegou”, disse Maílson da Nóbrega sobre as quedas na expectativa de crescimento do PIB em 2012
São Paulo – O mais recente relatório Focus, que mede a expectativa do mercado sobre alguns indicadores, apontou na segunda-feira que o crescimento do PIB deve ser de 1,9% em 2012, mantendo a previsão da semana passada, quando o dado registrou sua décima queda seguida. No final de 2011, as previsões dos economistas indicavam um aumento médio de 3,5%. De lá para cá, o que mudou?
O governo põe boa parte da culpa nos desafios impostos pela crise internacional. Ela não pode ser ignorada, mas não é o fator mais importante, pelo menos na opinião do ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, para quem a perda de dinamismo da economia brasileira tem a ver com nossas próprias deficiências. “A conta chegou”, disse.
A impressão é que dessa vez o país enfrenta uma tormenta, e não mais uma “marolinha” (como Lula se referiu aos efeitos da crise de 2008 no país). Porém, na opinião de Ricardo Amorim, economista e presidente da Ricam Consultoria, o Brasil não está sentindo a crise atual mais do que a anterior. “Esta crise, até agora, foi bem menos profunda no Brasil e no resto do mundo do que a de 2008/2009”. Em 2009, o PIB brasileiro caiu 0,2%.
Pode não ser tão grave, mas o governo já anunciou diversas medidas para tentar esquentar a economia, como o programa de compras PAC Equipamentos e a prorrogação do IPI baixo para a linha branca e móveis. Para Octavio de Barros, economista-chefe do Bradesco, pouco pode ser feito para salvar 2012.
Para Ricardo Amorim, o problema não é o que poderia estar sendo feito agora, mas o que deveria ter sido feito em 2010 e início de 2011, no período de bonança. “Falta ao Brasil uma estratégia de desenvolvimento baseada em um Estado Menor, menos impostos, mais investimento público, juros menores e câmbio menos apreciado. Nada disso será possível enquanto o governo não reduzir seus gastos”, afirmou.
Economistas ouvidos por EXAME.com indicam cinco motivos, além da crise, que podem explicar porque o PIB parece ter empacado.
Tempestade perfeita
Para Octavio de Barros, economista-chefe do Bradesco, não são os problemas estruturais do Brasil que vão explicar o que está acontecendo em 2012, mas várias idiossincrasias. “Nesse ano, foi a crise global e fatores excepcionais (que impactaram o PIB)”, afirmou.
Esses fatores excepcionais não estão relacionados a problemas estruturais do Brasil – e incluem a seca no sul e no nordeste, a crise no Dnit, a implantação do “Euro5” (mudança na lei de emissões de poluentes por motores de veículos comerciais) para caminhões, a crise da construção residencial devido a excesso de oferta, problemas em bancos pequenos e médios, crise argentina, entre outros. O conjunto sugere que talvez o país tenha vivido, em 2012, uma espécie de “tempestade perfeita” (uma conjunto de fatos negativos concomitantes).
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