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América Latina | 02/02/2012 13:15

Violência contra mulher dificulta sigilo médico na Colômbia

Profissionais do setor se dizem alarmados com a quantidade de casos, mas alertam que problemas éticos impedem que eles denunciem os casos

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Wikimedia Commons

Colômbia, vista área de Bogotá

Bogotá, na Colômbia: governo quer que os médicos denunciem os casos de violência contra a mulher

Bogotá - Os médicos colombianos revelaram os alarmantes números da violência contra a mulher em seu país, e demonstraram ainda mais preocupação com a possibilidade de suas obrigações, dentro da nova política governamental contra esse problema, entrarem em choque com o sigilo profissional.

O pesadelo, como descreveu à Agência Efe o presidente da Associação Colombiana de Sociedades Científicas, Rodrigo Córdoba, começou na semana passada, quando o governo apresentou um pacote de decretos para prevenir qualquer tipo de violência contra a mulher em todas as situações.

Na ocasião, a ministra da Saúde da Colômbia, Beatriz Londoño, se referiu à responsabilidade dos médicos como 'denunciantes' de cada caso de violência doméstica, o que não foi bem recebido por essa associação.

'Nós nos negamos categoricamente a exercer o papel da polícia, a denunciar o delito e fazer parte ativa do processo judicial, já que isso entraria em conflito com nossos princípios éticos', argumentou Córdoba, que apoia 'com profundo entusiasmo' toda iniciativa para acabar com a violência.

Para Córdoba, que representa dentro da organização os psiquiatras colombianos, se um médico apresentasse todos os dados do diagnóstico ao sistema judiciário, violaria imediatamente o sigilo profissional, o que não daria nenhuma garantia à vítima.

Essa relação de confiança com o médico é fundamental, já que o grande problema da violência contra a mulher continua sendo a falta de diagnóstico. 'Muitas mulheres ficam em casa e não procuram um hospital', o que, segundo o psiquiatra, torna inconcebível prejudicar o sigilo profissional.

Córdoba está aguardando o Governo definir se a função dos profissionais da saúde é serem 'policiais' ou apenas registrar os casos de maus-tratos sem acrescentar detalhes, o que ficará estabelecido no dia 20 de fevereiro, conforme prometeu a alta conselheira para a Igualdade da Mulher, Cristina Plazas.

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