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São Paulo – Um estudo inédito elaborado pela Iniciativa de Ameaça Nuclear (Nuclear Threat Initiative, em inglês), um grupo privado de Washington, em parceria com a Economist Intelligence Unit (unidade de pesquisa da revista britânica The Economist), avaliou pela primeira vez a capacidade e a segurança dos países que armazenam materiais nucleares, como plutônio e urânio enriquecido, utilizados na fabricação de bombas e armamentos.
A pesquisa, que foi financiada pela Fundação MacArthur e pela Carnegie Corporation de Nova York, apontou grandes riscos e falhas em nações até então consideradas “seguras”, como Estados Unidos e Japão, e mostrou pontos cruciais que devem ser superados por estes países para que as armas nucleares não caiam em mãos erradas, ou seja, cheguem até os terroristas.
O levantamento classificou 32 países com base em 18 critérios, incluindo a quantidade de material nuclear armazenado, as proteções físicas, os métodos de contabilidade e segurança de transporte, bem como fatores sociais de cada nação – considerando até estabilidade política e casos de corrupção.
A Austrália figurou na primeira posição do ranking após ter reduzido consideravelmente a quantidade de materiais nucleares presentes em seu território, para um nível considerado “pequeno”. O país ainda se saiu bem nos critérios de normas globais, recebendo no geral 94 pontos de 100 (pontuação máxima do levantamento).
A grande surpresa da lista é o Irã, que figurou na 30ª posição. Apesar de o país alegar que seu programa nuclear possui fins pacíficos, a equipe responsável pelo estudo acredita que o país já detém urânio altamente enriquecido.
O Paquistão, que ficou em 31º lugar, foi acusado de possuir um sistema de transporte de material nuclear sem segurança. Outro fator que também prejudicou o país foi a instabilidade política e a presença de grupos terroristas ansiosos para colocar as mãos em bombas produzidas na nação mulçumana. No último lugar (32º) está a Coreia do Norte que, por sua vez, apresenta um sistema de segurança nuclear deficiente.
Bom desempenho
Apesar de seguir fortemente os compromissos e normas globais de segurança já firmados no passado, o Reino Unido ficou na 10ª posição do no ranking, prejudicado pela grande quantidade de locais onde são armazenados os materiais nucleares.
Heni Ozi Cukier
“O mesmo ocorreu com os Estados Unidos, que ficou em 13º lugar. O fato de ter um grande número de locais de armazenamento eleva a probabilidade de incidentes ocorrerem, por mais blindada que a segurança do país possa ser”, opina o cientista político Heni Ozi Cukier, professor de Relações Internacionais da ESPM e que trabalhou no Conselho de Segurança da ONU.
O Japão figurou na 23ª posição, afetado principalmente pela sua vasta reserva de plutônio, além de medidas de segurança e controle inferiores às visto nos Estados Unidos e no Reino Unido, por exemplo. Outro fator que também colaborou para o mau desempenho nipônico foi a falta de uma agência reguladora local que possa fiscalizar a produção de ingredientes nucleares.
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