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América Latina | 06/02/2012 13:35

Indíos fogem da fome e lutam para sobreviver no México

Cerca de 150 famílias indígenas vivem na periferia de Ciudad Juárez, uma das cidades mais atingidas pela violência do narcotráfico

Luis Chaparro, da
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Daniel Schwen/Wikimedia Commons

Ciudad Juárez, no México

Ciudad Juárez, no México: indígenas tentam viver em uma das cidades mais violentas do país

Ciudad Juárez, México - Vivendo em um bairro da periferia de Ciudad Juárez, no estado mexicano de Chihuahua, cerca de 150 famílias rarámuris lutam para sobreviver longe de suas terras em uma cidade assolada pela violência do narcotráfico.

Na Colônia Tarahumara, fundada há 16 anos, a maioria dos homens se dedica à construção, enquanto as mulheres, vestidas com múltiplas saias coloridas e capas que cobrem a cabeça e parte do corpo, fazem artesanato e pedem 'kórima' (esmola) na cidade.

Juana, uma rarámuri de 35 anos que chegou a Ciudad Juárez há 17, foi testemunha da difícil situação na Sierra Tarahumara e da chegada de cada vez mais membros de sua etnia à colônia, um aumento que as autoridades locais estimam em cerca de 30% nos últimos quatro anos.

'Há pouco tempo visitei meus parentes lá em Guachochi e eles não têm nada para comer. O problema é que não choveu e a batata e o feijão que semearam não brotaram. Estão morrendo de fome', disse Juana à Agência Efe.

Devido à forte seca e às geadas na Sierra Tarahumara, centenas de rarámuris tiveram que deixar para trás suas terras e parte de seus costumes e descer para a cidade para efetuar trabalhos estranhos a sua realidade e tentar levar alguma comida para suas famílias.

'Eu vim pelo trabalho. Lá na Sierra soubemos que havia trabalho e trabalhei para poder sobreviver, porque em Guachochi a vida é muito difícil. Não há comida, nem saúde, e nestes últimos anos ficou muito frio, mais do que antes', contou Juana.

A cultura rarámuri considera que os 'chabochis' (pessoas da cidade) são uma raça inferior por sua fraqueza física e espiritual, e o fato de pedir esmolas ou abrigo nas áreas urbanas afeta profundamente sua autoestima.

Juan, um rarámuri pai de três filhos, afirmou que descer à cidade se transformou em uma tarefa perigosa desde que começou uma onda de violência vinculada ao narcotráfico que tirou a vida de mais de 9,8 mil pessoas nos últimos quatro anos.

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