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O processo vai continuar na quinta-feira, mas não se espera que os juízes - seis homens e uma mulher - anunciem a sentença tão cedo
Washington - O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, iniciou nesta quarta-feira, na Corte Suprema, o último ato de uma briga judicial de quase 14 meses no Reino Unido contra sua extradição para a Suécia, como suspeito de crimes de agressão sexual.
O australiano, de 40 anos, vestia um terno de cor cinzenta e manteve-se em silêncio, ao lado da advogada Dinah Rose.
Segundo ela, "a apelação gira em torno de uma única questão de direito, a de saber se um procurador tem autoridade judicial para efeitos de extradição".
A advogada alegou o fato de que a ordem de detenção europeia, em virtude da qual seu cliente foi detido no final de 2010 veio de um procurador sueco - não de um magistrado - pelo que não oferecia nenhuma garantia de "independência e imparcialidade", além de representar "uma interferência na liberdade individual".
A procuradora que representa as autoridades suecas, Clare Montgomery, respondeu que no sistema europeu de extradição por via rápida, o termo "autoridade judicial" tem uma definição muito mais ampla, não se limitando só aos juízes.
Dezenas de partidários de Assange, que continua sendo popular como demonstra seu próximo aparecimento no seriado "Os Simpsons", aglomeravam-se diante do tribunal no frio dia de inverno, para expressar apoio aos gritos de "ele deve ser libertado".
O processo vai continuar na quinta-feira, mas não se espera que os juízes - seis homens e uma mulher - anunciem a sentença tão cedo.
Se a Corte Suprema desestimar o recurso, Assange deverá jogar sua última cartada, desta vez na Corte Europeia de Direitos Humanos (CEDH) de Estrasburgo (França), que terá 14 dias para aceitar ou recusar seu caso.
Assange vive recluso na mansão de um amigo situada a 200 quilômetros de Londres desde que foi libertado da prisão sob fiança e com estritas condições no dia 16 de dezembro de 2010 na espera de uma resolução de seu caso caso.
Assange tinha sido detido nove dias antes em virtude de uma ordem emitida por um promotor sueco - e não por um tribunal, como costuma ocorrer -, para interrogá-lo por quatro supostos crimes de agressão sexual, incluindo estupro, denunciados por duas mulheres.
Embora admita ter mantido relações consentidas com ambas, o ex-hacker sempre negou as supostas agressões e sustenta que o caso está politicamente motivado, após a divulgação de milhares de documentos confidenciais da diplomacia americana e documentos secretos sobre as guerras de Iraque e do Afeganistão em seu site WikiLeaks, hoje inativo.
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