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Opinião é de Hung Tran, vice-diretor-gerente e chefe do departamento de mercado de capitais do Instituto de Finanças Internacionais, o IIF, o equivalente a uma Febraban
São Paulo - Alguns bancos europeus na Grécia, Portugal, Irlanda e até na Espanha e Alemanha teriam de entrar num programa de recapitalização compulsória semelhante ao que o governo dos Estados Unidos forçou junto aos grandes bancos americanos, como o Citigroup, o Bank of America e o Goldman Sachs, depois do colapso do Lehman Brothers, em 2008, segundo Hung Tran, vice-diretor-gerente e chefe do departamento de mercado de capitais do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), o equivalente a uma Febraban internacional. Com o agravamento da crise da dívida soberana da zona do euro, há instituições financeiras que necessitam fortalecer seu nível de capital para evitar um problema maior, disse Tran.
Em entrevista exclusiva ao jornalista à Agência Estado, Tran, economista nascido no Vietnã há 61 anos, exortou os países do Brics (Brasil, China, Índia e Rússia e África do Sul) a contribuir com 20 bilhões de euros para um esquema conjunto com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para que a Grécia possa recomprar os seus títulos públicos no mercado secundário e assim reduzir o nível de endividamento. Tran espera um gesto simbólico dos Brics ao final da reunião anual do FMI e Banco Mundial que começa esta semana em Washington, Estados Unidos.
Veja a seguir trechos da entrevista:
P - Qual a sua expectativa em relação à reunião anual do FMI e do Banco Mundial?
R - Todos os encontros marcados para esta semana em Washington serão muito importantes, pois a economia global está enfraquecendo e a turbulência dos mercados financeiros está se agravando, então é fundamental que os políticos, ministros e presidentes de bancos centrais discutam ações coordenadas de políticas para lidar com esse problema.
P - Que tipo de medidas concretas o IIF espera que sejam adotadas nessas reuniões?
R - Primeiro, quer seja agora, quer seja nas reuniões preparatórias para o encontro de líderes do G-20 em novembro, esperamos a adoção de medidas conjuntas e coordenadas semelhantes as que foram tomadas em Londres depois da reunião de cúpula de G-20 em abril de 2009. Aqueles tipos de medidas claras, precisas e bem coordenadas serão necessárias agora para restaurar a confiança dos mercados. Segundo, os líderes mundiais deveriam concordar em adotar uma série de medidas fiscais de forma sequenciada e no tempo adequado, ajustadas para as circunstâncias de cada país. Assim, um país que estiver sob pressão para reduzir seu déficit fiscal terá que adotar medidas severas para reduzir seu déficit e restaurar a confiança dos investidores. Por outro lado, países com situação fiscal confortável, como a Alemanha e a China, deveriam tomar medidas para estimular a demanda doméstica e também dar maior suporte à economia mundial. Já os Estados Unidos, que se encontram pressionados desde o debate para aumentar o teto da dívida, deveriam elaborar um plano para endereçar seus problemas fiscais no médio prazo, mas também adotar medidas no curto prazo para evitar cair de novo numa recessão.
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