Meirelles: o Brasil em Davos

Nesta terça-feira, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, e os ministros da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, e de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, participam do Fórum Econômico Mundial em Davos. Vão preparados para repetir à exaustão alavras como “retomada”, “crescimento e “ajuste fiscal” em cada discurso ou conversa que tiverem.

A comitiva deve participar de conversas com grandes investidores estrangeiros nas quais Meirelles, em sua décima participação em Davos, falará sobre as reformas encaminhadas ao Congresso. Destacará que o governo Temer conseguiu aprovar a PEC do teto – uma importante iniciativa de ajuste fiscal – e apresentará as perspectivas de retomada de crescimento do Brasil neste e nos próximos anos. Para este ano, o governo estima um crescimento de 1% no PIB (para o FMI, o país vai avançar 0,2%).

Para mostrar que seus números estão certos, Meirelles e sua equipe econômica ainda têm de lidar com um cenário de retração e muitos problemas. Meirelles decidiu antecipar sua volta para o Brasil para quinta-feira pela manhã, (o Fórum em Davos termina na sexta-feira) para finalizar as negociações sobre o acordo de socorro ao estado do Rio de Janeiro.

Nesta terça-feira é provável que os economistas prestem mais atenção a um documento – capaz de alterar o curso da economia neste ano – do que às falas de Meirelles nos alpes suíços. O Banco Central divulga a ata da reunião do Comitê de Política Monetária realizada na semana passada, que reduziu a taxa de juros do país de 13,75% para 13%. A expectativa é que a ata sinalize que o Banco Central deve seguir a tendência mais agressiva de redução de juros – que pode chegar 1 ponto percentual, na visão dos mais otimistas, nas próximas reuniões. No boletim Focus divulgado ontem, economistas projetam a Selic em 9,75% ao fim deste ano. Para os investidores, como sempre, as ações valem mais que os discursos.