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A demanda por etanol brasileiro supera a oferta em quase 25%
São Paulo - Por três décadas, o governo dos Estados Unidos procurou proteger seus produtores de milho e de etanol de uma temida onda de exportações do biocombustível brasileiro, impondo uma tarifa de importação que fez o país sul-americano protestar.
Mas agora, com a taxa dos Estados Unidos expirando no final do ano, os temores de os norte-americanos serem inundados pelo biocombustível tropical parecem infundados, pois a indústria do Brasil se debate para atender até mesmo a demanda local e provavelmente poupará produtores dos EUA da concorrência por mais alguns anos.
Três fatores têm dificultado a vida das destilarias de etanol no Brasil: a produção de cana-de-açúcar caiu este ano pela primeira vez em uma década, reduzindo a oferta; a demanda global por açúcar continuou forte e o crescimento econômico robusto do Brasil tem fortalecido a demanda doméstica por combustível.
A demanda por etanol brasileiro supera a oferta em quase 25 por cento, de acordo com dados da Reuters e da indústria. Pode levar mais de dois anos para que novos investimentos corrijam o desequilíbrio, atrasando a emergência do Brasil como a "Arábia Saudita do biocombustível".
A escassez brasileira é tão aguda que o segundo maior produtor de etanol do mundo está atualmente importando etanol de milho dos EUA, ajudando os Estados Unidos a destronarem o Brasil como maior exportador mundial.
"O fim da tarifa é um começo, mas eu não vejo grandes mudanças nas exportações nos próximos três anos", disse Antônio de Padua Rodrigues, diretor técnico da Unica, a entidade que representa a indústria no centro-sul.
"Ainda precisamos resolver como suprir nosso próprio mercado", disse Padua.
Isso deve vir como um alívio aos produtores norte-americanos, que lutaram para proteger seu mercado de etanol produzido com milho subsidiado contra produtores do Brasil, cujo clima e solo permitem uma abundante produção de cana-de-açúcar, matéria-prima para o biocombustível muito mais eficiente que o milho.
Mesmo com as novas regras de meio ambiente dos EUA dando um grande incentivo à demanda por etanol, produtores norte-americanos têm pouco a temer em relação ao Brasil até, pelo menos, 2014, dizem analistas e representantes da indústria.
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